Clicia Vale Borges

Conheço a Clicia desde sua juventude.Filha de D. Alda e seu Pedro, nos encontrávamos  de tempos em tempos no  planalto dos Araxás em minhas idas de mascate  de enxovais de noiva,vendidos por minha mãe.D. Alda foi o melhor agente de vendas  que eu poderia desejar.Além de guarnecer os enxovais das quatro filhas ,era ela a arregimentar  as futuras freguesas   que  me permitiam  voltar de malas vazias e os bolsos cheios. E,era nesse ambiente que a gente se misturava.Depois ,mais adiante, tornamos a nos encontrar na fazenda de meu tio .Já aí Clicia não se ocupava de muitos interesses.Seu interesse na realidade tinha nome,sobrenome e um cavalo que diariamente o  trazia de sua fazenda e o retornava a noite  à casa do pai.No dia seguinte estava o Otaviano lá de novo.Clicia era uma menina  de estatura média,magra,cabelos bem negros e de um olhar  onde a vivacidade e sagacidade eram a marca registrada de sua personalidade.Suas tiradas aos gracejos dos tios  ou primos eram infinitamente mais   ricas e engraçadas do que  se podia imaginar.Suas respostas brotavam de seus  labios  quase que automaticamente.Ela nem precisava pensar.Ela tinha no seu arquivo de memória sempre a melhor resposta.A vida seguiu e nos falavamos esporadicamente.Pelo fato do Otaviano,seu marido ser meu primo e sua tia ser casada com meu tio a gente se topava de  vez em quando nos encontros das familias Borges e Pereira ValeA partir  daí comecei a conhecer um pouco mais dessa fantástica criatura.E hoje me faço uma pergunta:quantas mulheres são necessarias para se fazer uma Clicia?Será aquela que cuidou por três anos de um ente querido  em estado de coma?Ou será aquela que ao ver a sogra sem o marido e dois filhos  se virou para o o filho que  restou e disse :nós dois vamos cuidar de sua mãe!Ou ainda,será aquela que socorre  entes queridos prisioneiros da solidão e do inexorável castigo  do envelhecimento!E mais,será aquela que premida pela necessidade se tornou empresária ,sendo proprietária da Beliske,a melhor Padaria e Confeitaria de Uberaba.?Mas me arrisco um pouco mais.Será ela aquela mulher que  nos recebe  com tanta fidalguia e desprendimento  a ponto de não nos permitir  até o uso de um taxi  quando em visita a sua cidade?Seriam preciso incontáveis mulheres  para se fazer uma Clicia.Mas  sei que basta uma,somente uma  Clicia para se fazer uma grande mulher.

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As datas da minha vida

Vinte e oito de dezembro ,dezessete de dezembro dois de  fevereiro,dois de março ,dois de maio,dezenove de julho vinte e quatro e vinte e seis de julho.Não são apenas   datas ou números.Tenho forte convicção que algo de místico,de transcendental ,de cuidadosamente programado ocorre na existência de qualquer ser humano.São eventos determinísticos  que independem de sua vontade ou de sua ação e que  acabam por marcar a sua vida  de alguma forma .

Foi num vinte e oito de dezembro que iniciei minha vida profissional ,ao ser admitido na Usiminas e onde permaneci até me aposentar.Nasci no dia dezessete  de dezembro e, acreditem,me formei num dezessete de dezembro.Dois de março  é o aniversario de minha primeira namoradinha,dois de fevereiro marca o nascimento de uma pessoa que   muito me marcou nos meus anos de juventude e num dezenove de julho me casei Em vinte e quatro e vinte e seis  de julho nasceram minhas filhas..Dois de maio é também um dia muito especial.Nesse dia nascia  no ano de 1895 Odilia Ribeiro Borges,minha avó.Para essa, o destino reservou uma vida de muita luta  , abnegação e sacrifícios .Com o marido,ambos ainda muito jovens, estabeleceram-se nas terras da Fazenda Santa Cruz ainda por ser formada;sem pastos sem casa ,com tudo por fazer.Moraram  em um paiol,que chamavam de Paiolinho,enquanto se construía aquela que viria a ser a sede da fazenda..Para formar os campos de pastagem arrastaram pedras e usaram as próprias mãos para ferir o solo e jogar as sementes.E, nessa labuta conviveram por 41 anos até o falecimento de meu avô em 1953.Minha ligação com ela foi sempre muito forte.Hoje ao abrir o cofre em busca de um documento me deparei com o relógio de pulso  ,presente dela nos meus 15 anos.Ele está lá com o folheado esmaecido pelo tempo,sem o pino de dar corda,com os ponteiros  irremediavelmente imóveis.Eu nunca quis  consertá-lo.No meu intimo  queria que ele ficasse ali  eternamente retido naquele tempo de outrora  onde a presença dela ainda me alegrava o coração  .D.  Odilia foi- se embora numa segunda feira de carnaval dezessete de fevereiro e eu tive  o sagrado privilegio de ser o único dos netos a falar com ela, no leito do hospital  .Suas ultimas palavras para mim foram: Fabio, fala pra esses médicos tirarem esses tubos do meu nariz”.Era a ventilação de oxigênio que a incomodava.Faleceu naquela noite.

Guardei carinhosamente de volta o relógio e instintivamente levei a mão ao pescoço onde,numa corrente de ouro,carrego a aliança de casamento do meu avô.No seu interior está escrito:Odilia  e uma data.Querem saber qual?

Vinte e oito de dezembro de 1912.Onde tudo começou!.

Fabio Botelho /2015

Tributo a um pescador

Nuca  nasceu João Abadia no final dos anos cinquenta.Filho de lavradores,morou nos primeiros tempos na Fazenda Santa Cruz,município de Perdizes no Triangulo Mineiro.Não me lembro de sua infância,já que minhas idas à fazenda se resumiam às férias escolares. Deve no entanto ter sido igual a de tantos outros cablocos; um ou dois anos na escola publica municipal  e, o resto do tempo no cabo da enxada numa lavoura de arroz ou uma roça de milho.Nuca mal sabia   desenhar o nome,naquela letra tremida que saia da ponta do lápis,num  mistura de pânico,vergonha e esforço.Viveu sempre ali nas redondezas,ora numa fazenda, ora noutra,nunca perdendo de vista a terra dos Borges, onde nascera.Nos últimos quinze anos voltara a sentar praça em nossas terras ,para não mais sair.Era o jardineiro da sede,tratador de porcos,carregador de lenha,apanhador de frutas e verduras e vaqueiro nas emergências.Nuca era uma figura singular.Humilde e caladão jamais questionava uma ordem.Todos  mandavam nele.Não só os patrões,mas os colegas e,até os parentes.Todos se julgavam no direito  de lhe cobrar tarefas.E ele ali ,silencioso e cabisbaixo,pronto a obedecer.Era o seu  jeito de levar a vida.Podia ser reconhecido à distancia pelo andar cadenciado,sem pressa,braços caídos ao longo do corpo franzino,e cabeça pendida sobre o ombro esquerdo.Trabalhava duro desde muito cedo até   a tardinha.Muitas vezes ,após a jornada eu o chamava até a porta da cozinha e lhe oferecia uma cerveja ou uma talagada de pinga.Ele gostava desses momentos.Era um exemplo perfeito do cabloco mineiro:jamais lhe dava uma resposta definitiva ou direta.

__Como é Nuca ,vai pescar hoje?

__Tô pensando!

__A lua ta boa pra pescar?

__Ta cum jeito!

__Onde você vai pescar?

__Lá pras banda das pedrera,no ribeirão.

Ele era assim.Nunca dizia onde pescava.Não mostrava os poços pra ninguém.Pescar era sua paixão  e o Ribeirão Perdizes seu santuário.Algumas vezes íamos juntos pescar.Não raro,enquanto caminhávamos  ao longo das margens,eu percebia pelo canto do olhar que sussurrava algo inteligível acompanhada de gestos.O danado me benzia!Se tinha alguma coisa que ele não suportava era alguém pegar mais peixe do que ele.Quando chegávamos a um poço ele dizia:

__Vamo tentá aqui

__Aqui tem peixe?

__Muito.

Quando eu me dava conta ele tinha desaparecido.Passado algum tempo ele surgia e, ainda de longe perguntava:

__Pegou quantos?

__Nada.Só dei banho em minhoca.E você?

Aí ele abria um largo sorriso e feliz mostrava a penca de bagres,como se fosse um troféu.Me dava todos de presente.Seu prazer era simplesmente pescar.Toda vez que eu chegava na fazenda,encontrava uma bacia de bagres a me esperar.

__O Nuca ficou sabendo da sua vinda e pescou pra você,dizia minha mãe.

Não passava um fim de semana sem pescar.Num certo domingo de Setembro ele e o vaqueiro foram pescar.Pegaram como nunca.Voltaram para casa felizes com o sucesso da pescaria;à noite vieram as dores no abdômen.O Nuca foi levado as pressas para  a cidade.Passou uma noite na enfermaria e depois foi transferido para a UTI do hospital.

Agora o Nuca não existe mais.E ,no silencio de suas margens vazias,na quietude de seus poços  misteriosos,pode-se ouvir o murmúrio das águas do Ribeirão Perdizes a lamentar o companheiro que não volta mais.

Reminiscencias

Hoje, por um acaso desses que ocorre em nosso cotidiano, postei-me defronte um quadro pendurado em minha sala,quadro esse baseado em uma foto por mim tirada e magnificamente   reproduzida  em tela por nada mais nada menos que Nazareno Altavilla (1921-1989) em 1974,por encomenda de minha mãe Pronto o quadro ela me entregou dizendo:” você tirou a foto portanto o quadro é seu”..Ele mostra a fachada lateral do casarão da Fazenda Santa Cruz de meus avós, com seus cinco janelões,dois pés de manga quase centenários, e um  coqueiro infinitamente longilíneo com suas palmas definitivamente apontando para o sul,indicando a predominância do vento norte naquele vale sereno do Ribeirão Perdizes..A foto e por conseguinte,o quadro  mostram  toda essa paisagem  num  ponto inclinado acima do retratista.

Fiquei ali ,de pé, olhando o quadro,e, suavemente coração ,alma e memória ,foram se incorporando numa mágica simbiótica àquela  terra  intensamente vermelha , e os fatos e imagens   foram surgindo em minha mente   de forma tão nítida como se eu estivesse ali   naquele momento , e pudesse  concretamente  tocar aquela terra  que sempre me foi tão cara e amada.

Ali naquele mesmo local,chamado por todos de Pasto do Engenho – outrora havia ali um engenho de cana- vivi, ainda criança,  momentos de  intensa emoção ao participar de  eventos  e situações  que as crianças de hoje  jamais  vivenciarão.Era época da colheita do milho e  após ajudar na sua quebra lá na roça  , carregávamos o carro de boi  para o transporte até a sede da fazenda.A distancia era longa  e  como candieiro eu vinha à frente  conduzindo a junta de guia determinando o caminho a seguir.Embora isto tenha ocorrido há aproximadamente   60 anos,guardo ainda na memória o nome de algumas das juntas do comboio:a de guia era Baiano e Tinteiro,um branco e o outro bem fumaça;das juntas intermediarias ,Brasil e Rochedo , Brasil um boi vermelho  com uma enorme mancha branca           que ia do cupim  ao joelho da pata dianteira direita formando  algo parecido com o mapa do Brasil e  Rochedo  um boi roxo escuro de chifres longos;uma outra  parelha era formada por  Ramalhete e Bordado,este último um boi de couro bastante escuro,quase preto, todo rabiscado caprichosamente de linhas brancas a lhe desenhar todo o corpo ,e mais não lembro.A ultima junta,aquela , em cuja canga  se apoiava a mesa do carro era chamada de junta de cabeçalho ou de coice Se chamavam Campista e Completo.Era a junta que suportava os piores   encargos.Nas subidas todos se esforçavam,mas nas descidas era a junta de coice que aguentava o tranco  praticamente sozinha.Nessas situações era visível e assombroso ver todo o peso do carro empurrar  a canga,por sinal pesadíssima, para a frente até encostá-la nos chifres   dos animais, e, era ali,nos chifres que ocorria toda a resistencia.Normalmente o carro vinha completamente lotado,com  as espigas de milho passando acima do limite da esteira e com os fueiros vergados pelo peso.Numa dessas viagens, lá vínhamos  nós subindo este pasto com o carro naquele   lamento candente e triste que podia ser ouvido ao longe,quando   subitamente  um dos rodeiros  se enterrou  no solo até quase a sua metade.O comboio   simplesmente travou.Meu tio ,que era o carreiro, fez varias tentativas de    desencravar.  Todas elas se mostraram infrutíferas..Olhou para as juntas,que ele conduzia sempre com maestria, e vendo   que o esforço os tinha extenuado virou -se pra mim lá na frente e gritou  “ vamos dar um descanso aos bois e depois tentaremos”.E lá ficamos nós por talvez uma hora  sentados à beira da estrada sob a sombra de um jatobá..Por fim ele se levantou, ergueu o chapéu acima da cabeça,olhou para o céu como a pedir ajuda e me disse para largar a guia e me postar do outro lado  do comboio e  fizesse o mesmo que ele iria fazer.Enquanto percorria todas as juntas ia dizendo o nome de cada boi.Feito isso , colocou-se a meio caminho entre a guia e o cabeçalho e  brandindo o guiso da vara de ferrão -ferrão nunca usado- falou firme pro comboio:”  agora vamo vê se vai”  e imediatamente começamos a gritar o nome de cada um .O que  eu vi e ouvi,jamais se apagará de minha memória..Eu vi boi caindo de joelhos sobre as patas dianteiras levados pelo esforço,vi boi berrando roucamente  com a língua pra fora e olhos flamejantes  e vi boi soltando sangue pelas ventas  de tanto buscar energia   em suas entranhas.Lentamente a roda começou a se mover  e alcançou solo firme.Meu tio deu o comando de parar e    nós dois ,ainda ofegantes, sentamos no chão e ficamos a  olhar  aqueles animais também  exaustos  aguardando o próximo comando.Me virei pro meu tio e perguntei:e agora?Ele olhou para mim ,tirou novamente o chapéu,olhou pro céu,deu um leve sorriso e disse:”não tenho coragem de hoje pedir mais e eles.Vou desengatar o carro,colocar a  espera(peça  de apoio para manter a mesa do carro na horizontal)  e liberar esses bravos animais para um merecido descanso.Amanhã voltaremos.”

Avôs,Avós e Sogras

Quem realmente são esses    entes  que gravitam em  torno de nossas vidas  desde  que nascemos? Perdi recentemente minha sogra e nessas ocasiões ,com muita frequência nossas mentes e corações relegam a segundo plano suas funções de dar suporte à vida   e brotam de suas entranhas reminiscências  e  emoções às vezes muito tempo adormecidas.Não conheci minha avó paterna.Teodora  era seu nome.Partiu quando meu pai ainda    era pequeno.Meu avô paterno  foi figura de destaque  em Araxá. Thiers  Botelho  foi um pioneiro   em muitos acontecimentos  que impulsionaram aquela comarca.A construção das termas do Barreiro, a estrada ligando a cidade àquele balneário,a estrada de Araxá a Uberaba, e, não poderia faltar a sua  dedicação  ao. aprimoramento da Raça GIr.Era um dos grandes  criadores  da região do Alto Paranaiba. Tenho poucas lembranças de sua figura.Tento buscar na memória e o  que me vem  á mente são seu rosto fino e seus cabelos brancos.Nada mais.Ah! me lembro também do alpendre de sua casa na Av. Antonio Carlos.Tinha uma pequena escada cujos degraus eram de mármore branco.

Meu avô materno  era um homem culto e afável.Faleceu quando eu tinha onze anos.Mas guardo em minha alma passagens   e lembranças com muita doçura e saudade.Eu não perdia por nada, suas conversas com a  sua montaria favorita.Crioula era uma mula muito singular.Trazê-la ao curral era uma jornada épica.Mas  quando se tratava do meu avô tudo era diferente.Bastava ele subir  na cerca de tabua do curral e gritar seu nome.Ela levantava a cabeça do pastejo e vinha trotando altaneira.Mas colocar-lhe o arreio no lombo era outra historia.Essa era o melhor parte de se assistir.Primeiro ele a amarrava ao esteio em frente à casa dos arreios.Ai  ele dava uma volta , ia até a cozinha tomava um café e voltava.Pegava os forros  e ficava andando em torno dela assobiando uma musica qualquer e de repente os  jogava  no lombo  da criatura..A danada murchava as orelhas, olhava pra trás   e resmungava.O arreio era colocado  com o mesmo ritual.E ai vinha o melhor;meu avô desfiava um rosário de imprecações   enquanto aguardava a chance de apertar  a barrigueira.Porque se ela percebesse  ela estufava a barriga. E ficava olhando pra ele!Outro momento que   nunca esqueci aconteceu quando eu estava no seu colo  numa cadeira de balanço escutando o Reporter   Esso ,num radio a pilha,onde a voz grave e inconfundível de Heron Domingues dava as últimas noticias da Guerra da Coréia e no final informava a cotação do Café  no Porto de Santos

. Repentinamente, sem mais nem menos dei-lhe um tapa no rosto.A resposta foi imediata e de  mesma intensidade.Comecei a chorar mas não sai de seu colo.Estávamos entendidos.

Minha avó materna  foi o meu amparo por muito tempo Num tempo ainda relativamente recente  era o nome dela que eu invocava   enquanto caminhava pelos campos da fazenda tentando desesperadamente  aplacar as minhas aflições e angustias.D. Odilia era uma mulher de pouca cultura mas de uma sabedoria infinita.Usava em suas conversas alguns termos interessantíssimos que a gente raramente   ouve   hoje em dia.Quando a gurizada aprontava ela dizia ” ó  frejélo”.Se alguém era muito esperto  sua expressão era “fulano é muito ladino”.

Muitas outras expressões se perderam no tempo.Era uma mulher maravilhosa.Mesmo depois de viúva convivemos muito tempo na fazenda.Na primeira vez que fui  passar férias lá  sem  a presença dela me sentei debaixo de uma arvore capitão  e chorei por mais de duas horas.Nunca mais as coisa seriam  como antes.

Minha sogra faleceu no ultimo domingo de Abril.Foi uma parceira  de meu casamento por 44 anos.Mãe e filha foram sempre amigas  e  companheiras.  Mas um dia a família se dispersou.O filho  medico foi para o sul do  país a filha  para Ipatinga me acompanhando e o marido partiu .Foi um período muito difícil para ela.Mas jamais se ouviu dela  qualquer queixa,qualquer recriminação ou   palavra de mágoa.Era uma pessoa sem rancores,sem raiva  e sem lamentos.Buscava levar uma vida  modesta mas recheada de amigas   que se apoiavam nas necessidades e nas identidades.Foi-se embora numa tarde ,após momentos difíceis com o mal de Parkinson,do qual também nunca  esboçou qualquer queixa.Fico grato pelos momentos que tivemos e tenho certeza que D.Elair  hoje descansa  em paz ,  tomando seu chimarrão  contemplando as coxilhas eternas  de seu amado Rio Grande  do Sul.

Fabio Botelho