Os desafios do Cruzeiro

Do jogo do Cruzeiro ontem contra o Coritiba varias lições podem ser tiradas.A primeira delas nos mostra que aquele Cruzeiro de 2025 que nos encantou, embora tenha mantido a maioria dos atletas não está conseguindo praticar um bom futebol.Mas é bom que se diga: mesmo aquele time apresentava problemas e deficiencias,que lhe custaram a perda do Brasileirão e da Copa do Brasil.Não há como ignorar esses fatos. Ficou bastante evidente que a equipe estrelada encontrou tremenda dificuldade em lidar com equipes retrancadas. Que o digam as derrotas surpreendentes contra equipes de menor qualidade que acabaram por tira-lo da disputa pelo titulo brasileiro.Isso,de certa forma , acabou por minar a confiança da equipe nos jogos em casa.A derrota para o Corinthians na jogo de ida no Mineirão pode ser analisada neste contexto.

A segunda lição ainda em 2025, notoriamente visivel era a fragilidade nas laterais.Na esquerda se insistiu demais com o Marlon.Demorou-se a se livrar dele.Essa demora custou ao Cruzeiro varios resultados ruins.O que causa espanto, dificil de se entender é como um treinador e sua comissão técnica foram omissos e incompetentes .Quanto à lateral direita falarei mais a frente considerando tambem a temporada 2026.

A terceira lição, ainda em 2025, refere-se á dinamica e sistema de jogo. O Cruzeiro, ao praticar um jogo vertical de altissima qualidade, negligenciou no treinamento do jogo pelas laterais , pouco sentido pela equipe .Essa deficiencia passou quase desapercebida pois os resultados da verticalidade mascararam o problema.Nos jogos retrancados quando mais se exigiria de alta eficiencia dos laterais essa deficiencia foi fatal.

Vejamos agora o ano de 2026.Por que uma defesa que era sólida tem agora um desempenho muito abaixo dos resultados anteriores? Vale lembrar que não houve praticamente qualquer alteração nos seus componentes.Do Cassio,passando por Fabricio Bruno e terminando no Kaiki nada mudou. O elemento novo, que permeia todo o desempenho da equipe está na chegada do Tite e sua Comissão Técnica.Acrescente-se aí a chegada do Gerson.Quando se vê uma equipe ter dezoito escanteios a seu favor em um jogo, com uma equipe sabidamente inferior, e este evento não causar alguma dificuldade na defesa adversaria chega-se à conclusão que alguma coisa está errada.Muito errada! E aqui, faço meu comentario sobre o desempenho técnico dos laterais da equipe, embora as derrotas sejam uma responsabilidade de todos. Eu acompanhei atentamente suas atuações na temporada passada e tambem nessa temporada.Considero o Kaiki um bom lateral com um desempenho acima da média,Quanto ao William tenho restrições à sua forma de atuar.Seu indice de acertos de cruzamentos é baixissimo. De cada dez cruzamentos que faz erra mais de 60 por cento; não tem precisão , não tem objetivo definido e qualidade irregular (ora muito longo,ora muito alto ,ora muito forte.). Falta treinamento no fundamento. Como marcador na defesa o considero regular.A má qualidade dos cruzamentos vindos das laterais explica muito a ausencia de gols de cabeça e de situações de oprtunidades de gols dentro da area.. Não sou fã do trabalho do treinador e acho pouco provavel que ele tenha condições de realizar um trabalho de qualidade. O grande desafio será conseguir achar um modo de jogar que considere Mateus Pereira e Gerson juntos. Isso demandaria tempo e treinamentos intensivos. E isso ele não tem.

A hora da verdade

Me abstive de comentar sobre as oito vitorias consecutivas do Praia Clube por tres sets a zero,por um motivo muito simples: com o devido respeito a essas equipes, elas não seriam parametros significativos a confirmar o Praia como equipe bem treinada , a ponto de ser considerada preparada para enfrentar as equipes que a tinham derrotado no inicio da temporada. O que vimos hoje nesse começo de noite foi uma equipe com defeitos técnicos grosseiros; saques ruins ,ora na rede ora para fora; levantamentos com oscilações inaceitaveis; e quando bons paravam na má qualidade dos ataques,onde muitos deles ficavam nos bloqueios dos adversarios e outros tantos esbarravam na impericia das proprias atacantes. O Praia pecou muito nas escolhas infelizes da levantadora; chamar a Michele,Fingall ou mesmo Caffrey na pipe se revelou inutil.Aliás,há varias partidas observo que essa jogada está sendo mal executada( provavelmente mal treinada) qualquer que seja a atacante chamada a executá-la.Em contrapartida a pipe dos adversarios não encontra nenhum obstaculo pois o que seria um bloqueio triplo do Praia , mostra na realidade, tres atletas saltando junto à rede com um espaço de 01 metro entre elas.Ou seja o bloqueio triplo do Praia é apenas tres bloqueios simples ,nunca onde a bola será lançada. Por fim , e não menos importante, temos o imobilismo da Comissão Técnica que não consegue enxergar as deficiencias,individuais ou mesmo de natureza tática que estão a acontecer dentro de quadra e, nem ao menos tenta resolvê~las lançando mão das peças do banco. E quando faz,o faz tardiamente.Resumindo: É como se dois barcos ,cada um com seis ótimos remadores e um timoneiro ,competissem entre si. Um deles, muito bem treinado ,com os remadores trabalhando de forma coesa,sincronizada e buscando celeremente um mesmo objetivo final e com um timoneiro que apenas faz pequenos ajustes para alcançar sua meta.Esse é o Sesc.O outro, operando de forma desordenada,navegando em zig-zag sem saber qual o seu objetivo, com seus remadores atuando por conta propria,cada um a seu tempo e a seu modo, longe de se comportar como equipe, e, com um timoneiro totalmente perdido no seu oficio Esse é o Praia Clube.A persistir esse quadro,reitero o que disse lá no inicio da temporada: o Praia cometeu erros nas escolhas dentro e fora da quadra e a temporada pode estar irremediavelmente comprometida.

Dois momentos do esporte neste 14/12

Momento 1- Desastrosa a atuação do Praia Clube na disputa pelo bronze contra o Osasco. Faltou de tudo ao Praia: competencia , atitude, foco e principalmente qualidade. Faço uma ressalva : Caffrey foi gigante e Natinha também.Quando esse desconhecido treinador mesmo após dois meses de,somente treinamento, foi incapaz de enxergar o talento da Caffrey,colocando-a na reserva, deu pra ver que a vaca do Praia ,nesta temporada , ja antevia o brejo à sua frente.Mas o vexame não tem apenas uma paternidade; quem montou esse elenco também falhou em varios aspectos. O Praia , pra surpresa de ninguém, fez opções equivocadas . A realidade é que o Praia se tornou um time envelhecido, de jogadoras ,cujas limitações de altura e vigor fisico, já não atendem às exigencias do voleibol atual.Algumas já deveriam ter sido liberadas no final da temporada anterior. O resultado disso foi o fiasco em tentar,sem sucesso,bloquear o Osasco e o vexame da quantidade de bloqueios que tomou. Parafraseando Dadà Maravilha, para o Osasco, o jogo foi um mamão com açucar!A equipe praiana precisa para 2026 reavaliar seus criterios de importação de estrangeiras. Jogadoras de sucesso em ligas menores podem não dar conta em embates contra atletas de ligas mais qualificadas. O Osasco é o melhor exemplo; jogadoras jovens,fortes ,altas e de boa qualidade técnica. Quanto ao treinador , o Praia deve buscá~lo em ligas fortes e de qualidade.

Momento 2 – O Cruzeiro começou a perder a Copa do Brasil , em pleno Mineirão quando ,inexplicavelmente foi derrotado pelo Corinthians. Fez um jogo ,sem foco,desinteressado e indolente.Ontem, em São Paulo fez um jogo forte,propositivo e merecia ter ganho, como de fato o ganhou por 2 x 1.Mas o desastre no Mineirão teve suas consequencias. A decisão foi para os penalties.E ai o treinador , cometeu seu maior erro desde que chegou ao Cruzeiro. Ao retirar do jogo ,ainda no tempo normal, jogadores importantes e substitui-los por outros vindos do banco, decretou a eliminação estrelada prematuramente.Dois jogadores, que não tiveram grandes oportunidades durante toda a temporada, sendo que um deles em varias oportunidades entrava nos ultimos 4 minutos da partida, não se sabe com que propósito, nunca deveriam ser escalados para , num momento crucial das cobranças , terem a imensa responsabilidade de definir o resultado final.Deu no que deu.