Sinuca de Bico

Por que o Cruzeiro  chegou nesta lastimável situação?Existem várias razões e respostas   que explicam  claramente  o  roteiro  dessa história.Vou me abster dos aspectos que envolvam  problemas de diretoria e correlatos  para me fixar nos   envolvimentos de campo.Não tenho feito comentários longos aqui neste blog, mas  tenho usado, principalmente nos últimos anos, espaços pontuais nas rêdes sociais para expor meus pontos de vista   através de  textos curtos e objetivos.Desde há muito  venho manifestando meu desconforto com a péssima qualidade  do futebol desenvolvido  pela equipe do Cruzeiro.No final do ano passado,já em dezembro, coloquei sérias dúvidas quanto à capacidade desse elenco em responder aos desafios que viriam em 2019.Ao longo desse ano após cada jogo  realizado  tenho exposto as flagrantes  deficiências ,coletivas e individuais   observadas .Disse com todas as letras que esses veteranos não dariam conta da tarefa.Como de fato não deram.As fraquíssimas atuações de Thiago Neves,Robinho,Edilson,Fred e Egidio  ,as quedas de produção de Rodriguinho ,Marquinhos Gabriel e   como preví com antecedência, de Pedro Rocha,tudo isso conduziu a essa situação..O desastre do comando do Mano nesse ano não pode ser atribuído  sómente a êle. É claro que ele teve sua parcela de contribuição.Ao sacar Orejuela, jogando bem, para retornar com Edilson sempre imprevisível,instável e   sujeito a novos problemas ele acabava criando dois outros problemas.Primeiro:  desestimulava qualquer esforço do Orejuela;segundo: sinalizava para o Edilson que o lugar era dêle independentemente de sua performance.Repita-se o mesmo raciocínio para a lateral esquerda com Egidio e DoDô. Com Robinho,Thiago Neves e Fred , embora  a análise seja um pouco diferente´- jogavam mal e continuavam titulares- , os resultados práticos  foram idênticos:  com essas atitudes o Mano criou uma casta de intocáveis! A acomodação foi só questão de tempo e o Mano Menezes não teve forças  para reverter essa situação.A chegada do Rogerio Ceni prometia novos tempos , novas idéias, novas atitudes e nova concepção de jogo.E essa turma rápidamente  percebeu  que suas posições, outrora intocáveis,  estavam seriamente ameaçadas.Seus talentos e aptidões , em função de suas idades e incapacidades físicas  e técnicas,  bateram de frente com as reais necessidades vistas pelo Rogerio. Restou a esses maus profissionais  confrontar  e boicotar o trabalho do treinador.Alie-se a isso  a ingenuidade , bobeira ou corporativismo  do Dedé  para  que se precipitasse a  saida do Rogerio Ceni.Não importam quais tenham sido as intenções do Dedé. O que conta foram as consequencias. Lamento  o desfecho   ocorrido.Acredito que a seriedade,honestidade de propósitos  e conduta ética do Rogerio teriam feito muito bem ao Cruzeiro.No frigir dos ovos  percebo uma situação muito interessante, uma verdadeira sinuca de bico:se esses jogadopres voltarem a jogar bem, poderão livrar o time do rebaixamento,mas estarão assinando uma confissão  explícita de que realmente estavam boicotando a equipe.Por outro lado, caso o Cruzeiro seja rebaixado ,uma ameaça real, ficarão para sempre marcados pelo estigma do rebaixamento e, pior ainda:darão um atestado inquestionável   de que são  ex-jogadores em atividade  em fim de carreira.Qual clube os quererá?

Uma Década Perdida

Você caro leitor, ao ler o título acima  pode imaginar tratar-se  de tema político.Mas não é.Quero hoje me dedicar a um esporte  que  me agrada ,e muito.Me refiro ao Voleibol.Após as Olimpíadas de Los Angeles ,na qual o Brasil foi medalha de prata no voleibol masculino,esse esporte começou a ganhar espaço ,primeiro nos ginásios do País ,depois ,na midia ,para finalmente cair nas graças  de todo um povo.Nos primórdios  o nosso volei não tinha expressividade nas quadras internacionais.Não éramos suficientemente fortes  e competentes nos confrontos com outros países.Mas ,em 1992,nas Olimpíadas de Barcelona o Brasil mostrou a sua cara com uma geração  brilhante que.ali conquistou a medalha de ouro.A partir dalí nos tornamos grandes.Mas sabíamos de nossas deficiências ,principalmente  quanto à estatura de nossos jogadores.E aí veio a jogada de mestre de nossos dirigentes.E todos hão de se lembrar de ouvir noticias de que estava vindo por aí uma geração de jogadores juvenis cuja estatura  girava em torno de , nada mais nada menos que dois metros de altura.E é essa geração e as que a sucederam que  hoje representam tão magnificamente o voleibol masculino brasileiro.

Em contra partida o mesmo não aconteceu com o nosso volei  feminino.Acompanhei,nessa tarde, a partida entre Estados Unidos e Itália.Um duelo de alta qualidade,disputado em cinco sets,duríssimos e equilibrados.Mas o que mais me  chamou a atenção não foi o resultado,  mas os elencos das equipes;são jogadoras jovens e desconhecidas ,que estão sendo preparadas  para, num futuro próximo substituir as jogadoras dos respectivos elencos principais.E como são altas!Isso não é um fenômeno isolado ou aleatório..Todas as grandes equipes do Hemisfério Norte adotaram essa politica de renovação ,sempre com foco na altura das jogadoras, sem se descuidar do aspecto  técnico.Italia, Servia,Holanda,Polonia e outras nações  hoje implementam   essa estratégia:qualidade técnica e altura.E o Brasil?Nossas políticas,se é que existem são as mesmas de dez, quinze anos atrás.Nossos dirigentes não tiveram, no feminino,os mesmos  cuidados que tiveram com o volei masculino.E ,vou além.Parte da responsabilidade  pela completa ausencia de politica de renovação ,com objetivo  de elevar  a formação de atletas de maior envergadura e de forte potencial técnico  cabe ao atual treinador.De forma inacreditável  esse senhor comanda a seleção brasileira feminina há mais de 10 anos.E ,pasmem,jamais,em tempo algum, foi capaz de  desenvolver um projeto de renovação e de reestruturação da equipe feminina,preparando-a para os desafios de agora.Enquanto outras seleções  promoveram ,ao longo dessa década, reformulações sucessivas de seus elencos,enviando para os diversos  torneios equipes de  futuras promessas,nosso treinador fazia o contrario:comparecia com o que tínhamos de melhor,sempre com o intuito de  faturar titulos,que certamente iriam enriquecer seu currículo e garantir o seu emprego.Ainda agora,este ano, as principais estrelas  do circuito mundial , estão  preservando e treinando suas equipes principais com vistas às Olimpíadas de Toquio em 2020 e enviando para os diversos torneios  ,aí incluidos Liga das Nações e Campeonato Mundial, suas equipes mais jovens . E nós estamos  lá na Liga das Nações com o que temos de melhor.O preço disso pode nos sair muito caro.É  tremendamente incerto o sucesso  de nossa seleção atual frente a essas novas gigantes do voleibol mundial.É urgente que  nossos dirigentes comecem já  a promover uma reformulação  de metas e objetivos de nosso voleibol feminino,sob pena de  passarmos a meros figurantes no cenário internacional. E de preferencia com outro treinador,com maior competência  e visão  mais atual e moderna da arte de jogar voleibol.E não se iludam,levará mais ou menos uma década para recuperarmos  o tempo perdido.

O Banquete das Vaidades

 

 

Às 14:30    o cortejo     de  togas negras   adentrou  o recinto   de forma   hierárquicamente ordenada.O primeiro deles,o mais antigo,dirigiu-se ao seu lugar e sentou-se ,não sem antes aguardar que um áulico majestosamente   o acomodasse no seu trono revestido do mais fino  couro .  Couro este oriundo de  touros com pelo menos duas premiações em exposições internacionais ,portadores de sangue nobre de algumas das raças  mais tradicionais  da bovinocultura mundial.. Couro  duplamente curtido em emulsões cristalinas  da melhor safra, oops- das melhores fontes-,  advindas dos píncaros das mais altas montanhas do Nepal.A madeira dos seus tronos   ,cuidadosamente trabalhada , conforme rígida especificação  da licitação de compra, deveria ser  originária de árvores  da Floresta    Negra  e com idade não inferior a cinquenta anos, devidamente aparelhadas em marcenaria  internacionalmente laureada, detentoras de currículos de trabalhos em,pelo menos , três côrtes europeias .

E assim, cada um a seu tempo, tomaram assento os demais  membros  .Com a toga jogada aos ombros,símbolo do poder supremo,o  temporário  presidente,mais conhecido como aquele que está ali,mas não deveria estar,dá inicio aos trabalhos do dia.O teatro está montado, com  a Presunção à sua direita,à direita deste a Arrogancia e ,defronte e na mesma ordem , o Narciso  e o Partido.Esse quinteto predomina e comanda o espírito da côrte sendo que  o sexteto restante,na visão dos primeiros,   não passa de mero  agente coadjuvante ,sem qualquer relevancia.

E aí começa  o banquete de vaidades…O primeiro a se manifestar é sempre o relator do processo que ao término da leitura do relatório emite o seu parecer.O primeiro a votar sempre será o membro mais novo do colegiado.Deve ser um castigo imposto pelos demais a quem ainda não escolheu o seu lado.É nesse ponto que  cada um dos togados ,do alto de suas    origens divinas aproveita para  , de forma enfadonhamente   desnecessária demonstrar  tôda a sua cultura jurídica   e toda a sua nada modesta intelectualidade.É um tal de data vênia pra cá,data máxima vênia pra lá ,e nisso levam duas horas  para dizer aquilo que  poderia ser dito em trinta minutos Embora em ocasiões  não muito raras seja possivel se assistir    a  choques de vaidades    e troca de insultos  dignas de um reality show  de  duvidosas virtudes.

Tendo votado o sexteto coadjuvante depois de decorridas horas ou até dias  chega-se ao  quinteto  que manda.E nesse quinteto é terminantemente proibido   adotar o voto ou argumento do colega.Cada voto tem de ser original,com argumentos ainda inéditos e citações de gurus jurídicos    sem direito a   repetições de nomes ou obras.O primeiro dos cinco a votar é o Partido.O próprio nome já traz implícito  o seu parecer.Embora sua posição seja óbvia ele, como de praxe ,leva duas horas para  com contorcionismos jurídicos pra lá de suspeitos,dourar a pílula.Em seguida temos o voto do Narciso.Célebre por  querer sempre ser   contra, numa tentativa vâ de mostrar independencia ,embora todos saibam que sua excelência só está ali por um  escrachado ato de nepotismo   do parente benevolente e de caráter altamente  questionável.. Ele,  sua excelência,é bom ressaltar,também requer longo tempo   de  palco  para  poder ficar ouvindo  o som  das próprias palavras, carregando propositadamente  na pronuncia das ultimas silabas num  deleite  beirando   um êxtase porno erótico  esfusiante.Chega-se a observar que  é tal a sua volúpia com a própria voz que  a qualquer momento  possa ocorrer um clímax  salivar a escorrer pela boca enrijecida..O penúltimo a votar   , o Sr. Arrogancia se acha o dono da verdade,com direito a distilar    ódio e inveja sobre aqueles  que não rezam por sua cartilha.É pródigo em proporcionar cenas degradantes  e insólitas  geralmente contra seus pares.Está sempre propenso a liberar    cidadãos   de conduta suspeita.Finalmente temos o Sr. Presunção.Seus votos são rebuscados e cansativos.Se tem a impressão ou seria certeza, que o referido   senhor   se percebe como a cereja do bolo.Aquele que ,em síntese , dá a palavra definitiva  , acima da posição dos seus pares,e,  através do melhor, mais brilhante e, mais qualificado voto,  aplicar a melhor justiça.Como se “melhor justiça” fosse algo   que  pudesse existir sustentada por filigranas jurídicas totalmente vazias de conteúdo e usadas apenas para tentar   ludibriar os incautos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Obs. Essa é uma obra de ficção.Qualquer semelhança com pessoas ou eventos reais  terá sido mera coincidencia.

O Autor

Fim da Linha

A Superliga Feminina de Volei chegou ,ontem em Uberlandia, ao seu final.Não há o que contestar do resultado  , por sinal meritório, alcançado pelo Minas Tenis Clube, através de uma equipe magnificamente treinada pelo italiano Stéfano Lavarini.Alías esse treinador merece um comentário  especial.Quem viu sua entrevista apresentada pelo Sportv pouco antes da partida se surpreendeu.Este foi o meu caso.Ao ser perguntado sobre o que mais gostava no jogo de volei ,Lavarini nos brindou com uma resposta,no minimo inesperada.Disse ele:”o embate entre as equipes não me  interessa.O meu embate sempre será contra os treinadores que enfrento.São eles que quero derrotar”.E, nessa temporada da Superliga que ora se encerra, foi o que ele mais fez;derrotar treinadores.Só o  Paulo Coco do Praia  foi derrotado umas 5 vezes ao longo do ano.Há, por detrás dessa visão do Lavarini muito mais do que uma filosofia de trabalho.Ao derrotar  Paulo Coco  com tanta frequencia  Stéfano Lavarini  levou à lona todo o trabalho  do  treinador praiano.O único mérito do Paulo foi trazer o time do Praia até as finais.É justo reconhecer isto.Mas os pecados  do Praia Clube  foram muito maiores que suas virtudes  culminando com a derrota,em casa,  levando-o à perda do título.As oscilações do Praia  ao longo da temporada, muito acima do que era lícito esperar, mostram que o trabalho  foi aquém do esperado.Nos confrontos diretos que valiam titulos o Praia naufragou de forma inapelável.E o mais surpreendente  de tudo é que   não houve por parte do Praia  qualquer alteração  no seu modo de jogar.Não percebí  na equipe ou no seu treinador  qualquer tentativa de inovar,de surpreender , de mudar o saque ,de orientar sua levantadora quanto às escolhas feitas.Foi tudo sempre do mesmo jeito.Isso só mostra o quanto nossos treinadores estão obsoletos, parados no tempo , sem evoluções no modo de treinar uma equipe.Por fim, nossos parabéns  a todas as atletas,Comissão  Técnica e ao próprio Minas Tenis Clube pelo feito de ontem a noite.O titulo está em boas mãos!

Uma viagem pelo mundo do voleibol

Acompanho o voleibol brasileiro desde os primórdios  dos campeonatos nacionais masculino e feminino.A equipe do Sada Cruzeiro   me  encanta  pela magistral trajetória   e pelos títulos conquistados do mesmo modo que  o Minas   de outrora me encantava  com Cristina Pirv   quando dominou  o cenario feminino   da Superliga  com  o  fantástico L´áqua  de Fiori. Hoje   com o Praia Clube de Uberlandia ,retorno  às minhas origens triangulinas ,mas sem perder de vista    o glorioso clube do bairro Santo Antonio de BH.Ao longo de tantas temporadas e tantos jogos  acompanhados a gente acaba percebendo algumas coisas que extrapolam o limite das quadras   e alcançam o território    inóspito e desagradável do comportamento humano    frente aos desafios e cobranças  que o cotidiano   do mundo esportivo  impõe.A própria midia especializada   exacerba essas cobranças quando  endeusa certos  treinadores , outorgando-lhes  uma genialidade que não possuem.Há um certo treinador que me desagrada profundamente   pela maneira imprópria , inadequada e, no minimo deselegante e desrespeitosa de conduzir seu trabalho  dentro da quadra.Ele tem por prática desqualificar as atletas do adversario ao instruir sua  equipe.Já o vi fazer isso , e isso foi há muitos anos , quando    , na quadra do Minas  – e eu estava lá-  ao instruir sua equipe teceu comentarios depreciativos sobre as qualidades da levantadora Gisele ,da equipe adversária.Assistí perplexo quando  tratou a levantadora Claudinha,então sua atleta, de forma humilhante , perversa e covarde , inclusive afastada das demais do grupo, ao .vivo e a cores para todo o Brasil.Um verdadeiro show de horror!Ainda ontem, no jogo contra Osasco, por mais de uma vez, fez críticas ao saque da Waleuska ao reclamar da incapacidade de suas atletas em recepcionar  “aquele saque”.Reclamou novamente de suas atletas por não dominarem uma rede “sendo que do outro lado estavam Claudinha e  , quem diria? A Waleuska.” Isso tudo sem se dar conta que Waleuska, com todo o seu talento e classe, detonava a equipe dele.Esse senhor  ao que parece, acredita mesmo que é  o máximo..Suas instruções são feitas com a mão à boca, certamente para que o microfone do reporter não divulgue para o mundo “suas fantásticas  dicas” .Ou então ele tem problemas bucais. Acredito mais na primeira hipótese . Esse cara não tem nada de genio.Pouco antes da Olimpiada de Londres assisti  sua entrevista a um reporter  e,quando questionado disse que a levantadora Fernandinha , por ele convocada seria fundamental às pretensões da seleção. Vale ressaltar que a Fabíola foi considerada a melhor levantadora da temporada e não foi chamada.Disse tambem que  Natalia  seria importantíssima   nas partidas que viriam.Resultado:Fernandinha mostrou-se  uma negação sendo substituída pela Dani Lins e Natalia não pôs o pé na quadra – foi levada sem a minima condição de jogar. A seleção quase foi eliminada  e,não fosse  uma reunião das atletas a portas fechadas e sem a presença dele, não teria havido  aquela reação que levou à conquista do ouro olimpico. E aí o cara volta como genio!É brincadeira!Parte dessa imagem é de responsabilidade dessa midia especializada , que se cala  ou finge que não vê  quando esse senhor ofende atletas ou as desqualifica.E ,muitos  desses comentaristas foram atletas.Deveriam ser os primeiros a reprovar essas atitudes.É visivel que suas broncas são seletivas.Ele jamais se dirigiria  a uma Ana Moser,Fernanda Venturini,Virna ,Leila ou a qualquer dessas estrangeiras que hoje  jogam a Superliga Feminina  nos termos que usa com outras jogadoras  não tão estreladas.Pra finalizar,espero que,tanto Minas quanto Praia  não tenham  a infeliz idéia  de ,algum dia, trazê-lo para cá.Isso tudo  me faz lembrar de um fato ocorrido com o Levir Culpi,então técnico do Atletico Mineiro:ao promover uma substituição foi homenageado com o grito de burro!burro! pela torcida enfurecida.Mas com sua mexida o time acabou virando o jogo.De forma divertida Levir acabou escrevendo um livro.O título? “Um burro com sorte”.É mais ou menos por aí.

A Suprema Enganação

O  Supremo Tribunal Federal  ,desde muito tempo,tem se tornado a grande piada nacional.Deixou de ser ,para a opinião pública  aquela Côrte que simbolizava o último refúgio da Justiça.Transformou-se  por culpa e obra de si mesma num reduto de desacreditados  e desmoralizados.A sua implosão moral e funcional   não tem paralelo na história republicana brasileira..A partir de FHC e atingindo o auge da mediocridade durante os governos petistas , através de indicações  sem qualquer respeito à competência,honorabilidade e saber jurídico adequados, essa Côrte vem ,a cada dia, se revelando um desastre.Não é mais uma instituição  apta a indicar os rumos   e condutas  a qualquer cidadão    de bem deste País,como seria de esperar  de nosso órgão máximo da Justiça.Alí, naquilo que se transformou   numa panacéia de   desacertos, sobram   manifestações de superegos  e  exacerbações de vaidades  e  faltam   virtudes  de qualquer natureza,inclusive de competência.Agora se acham no direito de também legislar.De forma surreal  estão prestes a determinar  a criminalização da homofobia por tabela .Estão  tomando emprestado a lei sobre racismo ,para,de forma provisória  ,  criminalizar a homofobia.Aquilo que o Congresso,de direito ainda não tipificou como crime através de lei devidamente aprovada em plenário, é atropelado pelo STF ,assim usurpando a prerrogativa do legislador natural, e avançando em  área fora de suas atribuições legais. E com direito a atitudes imaturas e pueris do relator  ao introduzir de forma canhestra  , inoportuna  e até forçada,  roupinhas azuis e cor de rosa. na sua fala. Quanta insensatez! É  curiosa essa pressa repentina  numa casa que prima pela inapetência  em julgar  outros crimes, principalmente de figuras notórias  da República .Ou de julgar com rapidez  e incrível presteza  recursos   de presidiários já devidamente e comprovadamente  declarados culpados.Avançam também em decisões   esdrúxulas  protegendo instituições cartoriais  e penalizando o cidadão comum.Refiro-me  à decisão  já em andamento no plenário do STF  que  transfere ao erário  a responsabilidade de indenizar o cidadão   por eventuais erros dos cartórios do país, retirando essa obrigação   dos próprios cartórios. Mas como o dinheiro do erário vem dos cidadãos contribuintes ,na prática, por vias indiretas, suas excelências supremas    determinam que o cidadão  seja indenizado pelo próprio dinheiro enquanto os autores dos erros   permanecem    gloriosamente isentados  e agraciados com  essa decisão indecente e vergonhosa.E para finalizar de forma apoteótica  esse quadro  de  surrealismo que ora vivemos  registro aqui a cena inusitada de um ministro  supremo   , num ato mais parecido com novela mexicana, de embalos chorosos  com um presidiário e,  lógica e convenientemente tendo como pano de fundo uma tragédia    terrível e dolorosa da perda de uma criança que abala todo e qualquer ser humano .Considero a morte de uma criança de uma injustiça descomunal e desproposital.Não é justo ,não é natural, que elas fiquem pelo caminho de forma tão prematura.Mas o lance do choro  me pareceu   muito conveniente , com objetivo determinado ,ainda mais se   levarmos em conta a declaração do presidente do Instituto Lula  “lamentando a ausência de alguns petistas    na festa.” .Foi o único choro em público  do presidiário devidamente registrado e divulgado.Espero que essas lágrimas não respinguem no plenário do Supremo  no dia do julgamento da prisão em segunda instancia.