As datas da minha vida

Vinte e oito de dezembro ,dezessete de dezembro dois de  fevereiro,dois de março ,dois de maio,dezenove de julho vinte e quatro e vinte e seis de julho.Não são apenas   datas ou números.Tenho forte convicção que algo de místico,de transcendental ,de cuidadosamente programado ocorre na existência de qualquer ser humano.São eventos determinísticos  que independem de sua vontade ou de sua ação e que  acabam por marcar a sua vida  de alguma forma .

Foi num vinte e oito de dezembro que iniciei minha vida profissional ,ao ser admitido na Usiminas e onde permaneci até me aposentar.Nasci no dia dezessete  de dezembro e, acreditem,me formei num dezessete de dezembro.Dois de março  é o aniversario de minha primeira namoradinha,dois de fevereiro marca o nascimento de uma pessoa que   muito me marcou nos meus anos de juventude e num dezenove de julho me casei Em vinte e quatro e vinte e seis  de julho nasceram minhas filhas..Dois de maio é também um dia muito especial.Nesse dia nascia  no ano de 1895 Odilia Ribeiro Borges,minha avó.Para essa, o destino reservou uma vida de muita luta  , abnegação e sacrifícios .Com o marido,ambos ainda muito jovens, estabeleceram-se nas terras da Fazenda Santa Cruz ainda por ser formada;sem pastos sem casa ,com tudo por fazer.Moraram  em um paiol,que chamavam de Paiolinho,enquanto se construía aquela que viria a ser a sede da fazenda..Para formar os campos de pastagem arrastaram pedras e usaram as próprias mãos para ferir o solo e jogar as sementes.E, nessa labuta conviveram por 41 anos até o falecimento de meu avô em 1953.Minha ligação com ela foi sempre muito forte.Hoje ao abrir o cofre em busca de um documento me deparei com o relógio de pulso  ,presente dela nos meus 15 anos.Ele está lá com o folheado esmaecido pelo tempo,sem o pino de dar corda,com os ponteiros  irremediavelmente imóveis.Eu nunca quis  consertá-lo.No meu intimo  queria que ele ficasse ali  eternamente retido naquele tempo de outrora  onde a presença dela ainda me alegrava o coração  .D.  Odilia foi- se embora numa segunda feira de carnaval dezessete de fevereiro e eu tive  o sagrado privilegio de ser o único dos netos a falar com ela, no leito do hospital  .Suas ultimas palavras para mim foram: Fabio, fala pra esses médicos tirarem esses tubos do meu nariz”.Era a ventilação de oxigênio que a incomodava.Faleceu naquela noite.

Guardei carinhosamente de volta o relógio e instintivamente levei a mão ao pescoço onde,numa corrente de ouro,carrego a aliança de casamento do meu avô.No seu interior está escrito:Odilia  e uma data.Querem saber qual?

Vinte e oito de dezembro de 1912.Onde tudo começou!.

Fabio Botelho /2015

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