Agora,passados já 4 dias da derrota e tendo a poeira baixado e acalmados os animos,fica mais facil analisar o desempenho do Brasil.A caminhada da seleção foi decepcionante.Se analisarmos ,com frieza a performance contra Suiça,Costa Rica , Servia,Mexico e Belgica ,chegaremos à triste constatação que praticamos um futebol de pouquissima qualidade.Empatamos ,ganhamos e perdemos sem convencer.A verdade é que nossas eliminatorias sulamericanas não são parametros confiáveis de qualidade.Mal comparando nossas eliminatorias estão para a Copa do Mundo assim como os estaduais estão para o Campeonato Brasileiro.Ficamos com a ilusão de que estamos prontos e,na verdade, quando nos deparamos com as seleções do outro lado do Atlantico, principalmente as européias a dura realidade vem a tona.E,me arrisco a ir mais longe;embora nossos jogadores estejam todos envolvidos nos campeonatos europeus dos diversos paises,quando colocados juntos seus desempenhos não refletem suas capacidades individuais.E por que isso ocorre? Não existe mais aquela superioridade técnica do jogador brasileiro tão decantada no passado. Hazard, de Bruyne ,Modric ,Lukaku são grandes talentosOuso dizer que o diferencial está na deficiencia coletiva aliada à péssima qualificação de nossos treinadores..E essa deficiencia coletiva se explica ,de forma inquestionável , pela maior qualidade técnica dos treinadores europeus.O Martinez,treinador da Belgica, deu um tremendo nó tático no Tite. Foi tão contundente na sua estratégia que o Brasil foi totalmente incapaz de entender o que se passava em campo.O jogo poderia ter sido definido ainda no primeiro tempo tal o dominio avassalador dos belgas.Nos fez temer por uma novo desastre como em 2014.Nossos treinadores recebem uma equipe no inicio do ano e a entregam no final com os mesmos defeitos:os jogadores são deficientes nos fundamentos essenciais,a qualidade no passe é horrorosa,os cruzamentos são um espanto e as finalizações chegam a ser inacreditáveis.Não existe um planejamento nas bases para ensinar o jovem a dominar uma bola,insistir no acerto do passe e concluir com sucesso um ataque à meta adversária.Oa treinadores e jovens atletas acreditam que eles tem essas qualidades já de nascença e que fazê-los praticar chega a ser uma humilhação.O Brasil não tem aqui,no Brasileirão, um lateral do nivel de um Kimmich,um meia como Modric ou de Bruyine ou mesmo um atacante como Lukaku ou Kane ou Hazard.Estamos muito distantes dessa turma.Enquanto não nos conscientizarmos da necessidade de moldar nossos jovens, ficaremos cada vez mais distanciados dos demais centros futebolisticos do mundo.Alem disso, nossos treinadores precisam se qualificar e estudar mais e, mais que isso, é preciso dar-lhes autoridade e respaldo para exigir de seus atletas que se aprimorem em suas deficiencias. e reforcem suas virtudes.
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ZÉ CARLOS BERNARDO
Acabo de ler a noticia do falecimento do Zé Carlos volante do Cruzeiro e um de seus maiores ídolos.Volto ,na memória e no tempo e me vejo no dia 30 de setembro de 1967, um domingo, em um Mineirão lotado para mais um clássico entre Cruzeiro e Atlético.O Cruzeiro começava a se firmar no cenario nacional com uma equipe fantástica ,que no ano anterior havia conquistado a Taça Brasil em cima de ,nada mais nada menos que o Santos de Pelé,com duas vitórias inquestionáveis:6×2 no Mineirão(com direito a um 4×0 no primeiro tempo) e 3×2 ,de virada em São Paulo.Por volta de 15:30 daquele domingo,os alto falantes do Mineirão ecoavam a escalação do Cruzeiro:Raul, Pedro Paulo,William ,Procópio e Neco;Piazza e Dirceu Lopes;Natal ,Tostão,Evaldo e Hilton Oliveira.Do outro lado me recordo apenas de alguns nomes:Helio,o goleiro,Grapete,Lacy e Ronaldo.Começa o jogo e aos oito minutos Tostão sofre uma entorse e sai carregado pelo massagista KO nocaute Jack.E aí começa a historia do Zé Carlos.Quando é anunciada a substituição e o nome do Zé é mencionado, todos os cruzeirenses,eu inclusive, e grande parte da crônica esportiva é tomada de surpresa;quem é esse Zé Carlos,de onde veio ,como Felicio Brandi e Cármine Furletti o descobriram?Tudo se esclareceria nos dias que se seguiriam.Mas o importante naquele momento,era aquela tarde .aquele jogo e o novo integrante da equipe celeste.Aos dezoito minutos do segundo tempo,o Atlético vencia por 3×0 e o Lacy desaba no gramado e acusa o Procópio de tê-lo agredido.O zagueiro é expulso.E agora?pensava eu:sem Tostão,para mim um dos jogadores mais geniais que vi jogar,com menos um jogador e perdendo de 3, com um jogador que ninguém conhecia,com certeza a vaca vai pro brejo.Para tornar as coisas ainda mais dramáticas ,desabou um temporal danado.Pronto,agora acabou!!Eu estava no setor de cadeiras bem próximo do gramado e ouvia o chacoalhar das chuteiras do Piazza ao correr naquela grama encharcada pela chuva.O esforço dos jogadores era enorme e heróico e a recompensa veio paulatinamente surgindo ,no primeiro gol,depois no segundo e a galera explodiu quando o Cruzeiro empatou.Era bonito ver esse garoto,de passadas inconfundíveis e elegantes substituir um mágico Tostão, com uma classe e segurança fantasticas.E para premiar sua estréia estupenda,aos 44 do segundo tempo cobrou uma falta,jogando a bola na junção do travessão com a trave esquerda do Helio.Merecia ter entrado.O impacto do empate foi tão grande nas hostes atleticanas que o Helio caiu em desgraça.E ,ali ,naquele 30 de Setembro de 1967 nascia mais um astro da constelação estrelada.Há alguns anos estive com o Zé Carlos e tiramos uma foto que guardo com muito carinho.Que o Zé descanse em paz!
Gremio – Um gigante
Com uma vitoria incontestável sobre o Lanus ontem na Argentina o Gremio se tornou ,pela terceira vez,campeão da Libertadores.Antes de pisar no gramado, a grande dúvida dos torcedores,da cronica esportiva e certamente do próprio adversario Lanus era como se portariam os tricolores do Sul.Mas a postura do Gremio surpreendeu a todos nós.Mas acho que os mais surpresos e assustados foram os argentinos.Esperavam um Gremio retraído,temeroso,cauteloso e até mesmo amedrontado.A realidade foi tão diversa que os hermanos perderam o rumo e seu jogo simplesmente sumiu.Não sei o que o Renato disse na sua preleção ,mas a equipe gremista já entrou em campo com a autoridade de campeão.Não tomou conhecimento do adversario,da torcida ou do ambiente – diga-se de passagem _ não hostil mas desfavoravel.O Gremio fez um jogo irrepreensivel no primeiro tempo e teria matado a partida não fosse a noite pouco inspirada do Barrios.No segundo tempo a saída do Artur e a expulsão ,justa por sinal,do Ramiro desarticulou a coesão do meio de campo e a partir daí o Gremio foi aquele da batalha do Recife.E mesmo assim o Luan quase repete o golaço do primeiro tempo.Jogou o tempo todo com vontade,com coragem e com destemor.Mostrou a todos que, com bom futebol pode-se enfrentar e, derrotar os argentinos mesmo na praia deles.Isso me faz lembrar de um certo time brasileiro eliminado na sua ultima participação na Libertadores lá mesmo na Argentina, sem ter dado um unico chute a gol.Que se mirem no exemplo do Gremio!Parabens aos tricolores gauchos pela fantástica conquista!
