Ventos de Esperança

Não se trata aqui no texto abaixo, de se fazer qualquer tipo de comparação entre os objetivos e prerrogativas   do TRF-4 e o Supremo Tribunal Federal.Enquanto esta última é uma  Corte Constitucional aquela  é uma Corte Recursal.Seus papéis e responsabilidades são completamente distintos.Na recursal,seus membros são funcionários de carreira da magistratura enquanto  no STF   são ,em geral,indicações  politicas.No texto tentamos mostrar as diferenças  de comportamento,atitudes e condutas individuais,ou mesmo coletivas dos membros das duas casas.Na côrte de recursos  prevalece ,em geral, a impessoalidade e a conduta meramente republicana.Já no STF ,muitas vezes seus membros mais parecem  advogados de individuos ou  delegados de partidos políticosQuem está habituado à pompa e  soberba do STF  certamente teve uma enorme  surpresa com  a simplicidade   e practicidade do plenario da Oitava Turma do TRF-4 sediada em Porto Alegre.Gebran Neto ,Leandro Paulsen e Victor Laus  mostraram a todo o País  uma nova face  da magistratura brasileira.Uma face plena de vigor jurídico ,objetiva ,detalhista quando necessario,didática quando  exigida,desprovida das vaidades tolas  pedantes ,egoistas e principalmente ideologizadas tão rotineiramente vistas na Suprema Corte.Não se viu ali,naquele triunvirato, em momento algum,qualquer dos membros querer ser maior ou melhor que os demais.Não se viu ali qualquer de seus membros  comentários desairosos,instiladores de ódio  ou de menosprezo às opiniões de seus pares.Situações essas tão comuns no STF,onde, se vê por trás de alguns membros os interesses personalisticos e partidários que vergonhosamente  insistem em defender, em flagrante desrespeito ao cidadão comum.Lembram-se do revisor na AP470?Sempre puxando o tapete do relator?E agora no TRF-4, pudemos observar a cristalina  e competente objetividade  na condução dos trabalhos. Havia uma  harmoniosa relação no plenario.Não se perdeu tempo com filigranas e firulas jurídicas  tão patéticas e ridículas  vistas lá em Brasilia.Disse certa vez um ministro do supremo que processo não tem capa,e sim conteúdo. Não parece ser verdade.Lá  naquela corte  o que mais importa é a capa.Não é a toa que   em seus escaninhos  mofam os processos contra os poderosos bandidos da República. E, no dia de hoje,após o acachapante 3×0   e os doze anos  dados ao Lula  ´ja começam os burburinhos para se rever a prisão em segunda instancia.Logo logo os ratos  da República  sairão de suas tocas!Resta a nós ,cidadãos de bem  apoiar os ventos de esperança   que esses novos magistrados,procuradores,juizes federais e  membros da Policia Federal  heroicamente  e teimosamente   trazem   ao País.

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Alerta aos amigos

No dia 20 de Julho fomos eu,minha mulher e minha filha na Churrascaria Adega do Sul na Avenida do Contorno em Belo Horizonte.Paramos na porta,descemos do carro e o manobrista da churrascaria me pediu a chave do carro a fim de levá-lo ao estacionamento.Respondí que a chave estava dentro do carro no console e o carro ligado.Entramos no estabelecimento enquanto ele levava o carro  para estacioná-lo em outro local que não a garagem existente no proprio predio da churrascaria.Saboreamos o nosso fondue e dei o ticket do estacionamento ao garçon para agilizar a disponibilização do veiculo.Chegamos na calçada e o carro foi trazido,agora da garagem do proprio predio por outro manobrista diferente do anterior.Pegamos o carro e deixamos o local.Cerca de dois quilometros depois ao levar a mão ao console e pegar o chaveiro percebi que parte do chaveiro havia desaparecido e as chaves agora estavam colocadas na chave do veiculo.Este chaveiro era composto  da chave do carro em uma extremidade,um chaveiro  com cinco cubos metálicos cujas faces mostravam em cada um deles uma letra do meu nome  formando F.A.B.I.O.  ,conectado a`chave do carro e na sua extremidade tres chaves comuns.Não havia contato das tres chaves com a chave do veiculo.Este chaveiro me foi dado pela Maria Helena havia cerca de sete anos.Como troquei de carro resolvi colocá-lo  em uso.Era de baixo valor monetario e só tinha valor por ser um presente.Constatado sua ausencia resolvemos retornar à churrascaria Adega do Sul.Após conversar com os manobristas,mandei chamar o gerente  e ,na presença deles,relatei o ocorrido.O primeiro disse que quando pegou o carro a chave estava na ignição.Uma inverdade.A chave é de presença e fica no console,sem necessidade de colocá-la  na ignição.O segundo manobrista alegou que quando pegou o carro achou o chaveiro estranho sem dar maiores detalhes.Disse ainda  que o tal chaveiro poderia estar caido dentro do carro.Respondi que só por milagre as chaves  que estavam na extremidade do chaveiro desaparecido agora,espantosamente  surgiriam acopladas à chave do carro.O cara por esperteza ou por deficiencia de inteligencia voltou a insistir nessa possibilidade.Deixei meu numero de celular com o gerente que me prometeu um retorno sobre o caso.Esse retorno veio hoje,29/07, 9 dias após o ocorrido.Suas palavras:”infelizmente ,após  analisar as cameras de segurança  não foi possivel determinar  o que tinha ocorrido e,que portanto não poderia ser imputado a ninguém  o roubo do chaveiro.” Se dispôs a  mandar fazer um novo chaveiro para sanar o problema.Declinei da oferta,dizendo que  a perda do chaveiro era perfeitamente superável,mas que o roubo de maneira alguma eu  poderia superar.Relatei-lhe que nossa familia era cliente antiga da Adega do Sul ,sendo minha esposa conterranea dos proprietários.Ambos eram de Cruz Alta no Rio Grande do Sul .Disse também que haviamos decidido que jamais retornariamos àquele estabelecimento em virtude da quebra de confiança   manifestada.A permanencia de  uma pessoa desonesta entre os membros da equipe é fator mais que suficiente  para reforçar nossa atitude.E disse mais;”hoje foi um simples chaveiro;amanhã poderá ser um chaveiro mais valioso ou mesmo o esquecimento de um celular,uma carteira ,um tablet,quem sabe.

Agora,quem quiser se arriscar……..

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Por que não lhe ensinaram isso antes? Pare de sofrer com os joanetes com estes remédios caseiros! | Cura pela Natureza

Os joanetes são depósitos de sal formados a partir de problemas como gripe, amidalite, gota, metabolismo lento, má nutrição, infecção reumática e utilização de sapatos desconfortáveis.Quem possui joanetes sofre com dor e tem dificuldade para encontrar sapatos adequados.

Source: Por que não lhe ensinaram isso antes? Pare de sofrer com os joanetes com estes remédios caseiros! | Cura pela Natureza

Passeio por um Brasil Olímpico

 

Começando pela solenidade de abertura da Rio-16, antes precedida por   receios de toda ordem e que  ao fim e ao cabo da mesma nos sentimos realmente    orgulhosos e comovidos com sua beleza e simbolismo  e, na sequencia ,acompanhando o desenrolar  dos jogos  ,fica a certeza do sucesso   dessa  festa universal  dos jogos  olímpicos  da Cidade do Rio de Janeiro.

É comovente   ver o empenho de cada atleta,de todas as nacionalidades, na busca   pela conquista daquelas medalhas,cuja  cor  ou material trazem consigo historias   fantásticas  de   sacrifícios ,de superação ,renuncias  e escolhas  .Nós expectadores sabemos e também o sabem os atletas que  só há duas possibilidades:vitoria ou derrota.Não há meio termo.Mas que sempre há de prevalecer o espírito olímpico.Aí reside toda a beleza das Olimpíadas.No final serão todos vencedores;com medalhas ou não.

As histórias de Rafaela,do Thiago, do Robson Conceição não são historias só deles. Há, por este Brasil continental  milhares de Rafaelas,de Thiagos ,de Robsons  travando diariamente suas batalhas   certamente tão ou mais dramáticas e heróicas que aquelas  travadas nos tatames ,nas pistas ou nos ringues.

No momento em que se encerrarem esses Jogos Olímpicos  terá inicio um novo ciclo de quatro anos até  Toquio em 2020.Mas é preciso que o Brasil  tire dessa Rio-16 as lições  que ela certamente proporcionou.Não só lições esportivas,mas,principalmente lições de cidadania ,de consciência cívica;que as pessoas levem para a vida cotidiana  o aprendizado da ética,da lealdade ,da dignidade   e da   decência ;valores esses que o esporte tão magnificamente  sabe difundir.

Ontem,vimos com tristeza , ruírem nossas esperanças  no futebol  e no volei femininos.É justo e meritório que celebremos e honremos essas garotas que tão  bem souberam defender as cores pátrias.Deram o melhor de si e  mostraram o verdadeiro espírito olímpico.

No futebol feminino talvez não tenhamos mais a Marta.Talvez isso não seja de todo ruim. Com certeza não teremos   a incansável Formiga  ,modelo de atleta que ,acima de tudo ,joga para o time.Outras jogadoras virão e o Brasil feminino  será mais solidário e competitivo.

No vôlei  será necessário uma reformulação mais  estrutural.Independentemente  do resultado nas  Olimpíadas, acho que o vôlei está precisando de novos   valores fora da quadra.Não creio que Zé Roberto e Bernardinho tenham algo mais a oferecer.Os conceitos de ambos estão   irremediavelmente fossilizados.Lembrem-se que em 2012 em Londres,com uma única mudança tática( a colocação do  meio de rede Museski como ponteiro) , o técnico russo  desmontou o time do BernardinhoFazer inversão de 5-1 é muito pouco.é preciso que haja outras alternativas,principalmente táticas. .Ontem no feminino , a técnica chinesa Pin,após sofrer uma derrota acachapante no primeiro set, simplesmente remontou a equipe de forma brilhante e, pasmen—com o jogo em andamento!Foi como trocar o pneu de um carro em movimento.Enquanto isso nosso treinador se limitava a  colocar a Gabi para sacar!Não sabia o que fazer!Acertou em colocar a Juciely,mas a concepção de jogo permaneceu a mesma; e o time ficou à mercê das chinesas.

.Acho que já deram uma inestimável contribuição ao vôlei nacional Já é hora de darem lugar a novos treinadores e a novas idéias.

PETI

Aqueles cuja trajetória de vida  se confunde com a  da terra onde  nasceram e cresceram entenderão sem nenhuma dificuldade  o significado  da narrativa   que aqui começo:

A presença de animais ao nosso redor sempre foi vista como  um misto de companheirismo,de parceria de solidariedade recíproca.Assim sempre convivi com cães e gatos  trançando em meio a nossas pernas.Se lá atrás  nos meus quatro ou cinco anos  o Uísque deu inicio a essa tradição,ela veio se mantendo viva através do Jango,um pastor alemão,da Furrequinha,depois simplesmente Quinha,da Lolita I,uma gata morena de olhos verdes, que vivia a andar pendurada no pescoço  da Emilia,nossa cozinheira.Isso na década de 60.Depois de me casar  essa tradição continuou com a chegada do Pango—um Cocker spaniel de pelagem dourada e do Jimmi outro Cocker mas de pelagem preta.Essa turma foi ficando pelo caminho seja pela idade ou por doença .

Já aposentado e morando  em Belo Horizonte,surge minha filha e o namorado ,trazendo do Rio uma cadelinha da raça Cavalier  para o seu convívio.Bonnie viveu 15 anos,vindo a falecer em  março deste ano.Seus últimos tempos foram muito difíceis.Cardíaca,tinha crises de desmaios e dava muito trabalho.Mas nunca lhe faltou atenção médica e muito carinho.Um dia minha filha a deixou dormindo e quando retornou encontrou-a  na mesma posição.Ela tinha serenamente ido embora.Sem dor  e sem sinais de sofrimento.Foi cremada no dia 18  de março.

Mas a tradição continuou.

Um dia,voltando da fazenda ,lá por volta de 2000 me  deparo com uma gatinha  na minha sala.Fui logo perguntando o que era aquilo.A resposta de minha mulher veio rápida:”passei em frente uma loja e vi essa coisinha em pé com as patas na jaula quase a me implorar que a tirasse de lá.Tirei.”Muito bem,e agora?Agora a gente precisa escolher um nome  pra ela,disse minha mulher.Olhei bem  pra gatinha e pensei:dorso escuro,barriga branca e olhos verdes.Ela será nossa Lolita.

Lolita mora  até hoje conosco.

Um dia ao voltar de uma viagem eis que novamente me deparo com outro felino em minha sala.Não acredito que vocês arrumaram outra gata.Não é gata ,é gato e é castrado. Alem disso vivia junto com a Bonnie,eram amigos e brincalhões.Foi a única explicação que ouví.Lolita também precisou ser castrada de modo que daquele mato não sairia gato algum.Simpatizei com o gato logo de cara e por uma razão muito simples;era todo branco e  de olhos azuis da cor do céu.Pensei:mais um cruzeirense  na casa  .Petkovich  foi gradativamente conquistando a todos.Era um gato altamente sociável.Adorava um colo.De quem quer que fosse.Até de visitas.Muito folgado o Peti.Qualquer um da casa que estivesse deitado no sofá era candidato certeiro   a fornecer-lhe um colo.Ele subia no sofá,deitava no peito  do dito cujo e, como a pedir desculpa pela ousadia estendia a patinha direita e acariciava -lhe o rosto   delicadamente.Era uma figuraça esse Petí.

Há dois anos  ,já com treze anos começou a perder a visão e a audição,acabando por ficar cego e surdo por completo.Ai´nossa rotina mudou por completo.Nada podia ser mudado de lugar;os móveis  as vasilhas de água,as caixas de areia.Mas mesmo assim de vez  em quando ele se perdia.Aí nós o colocávamos em um ponto que lhe permitia se reorientar.Já não corria ou pulava em lugares altos acarretando uma severa perda de massa e força muscular.A decadência foi inevitável.Nos últimos meses  era só pele e osso.Como ele adorava tomar sol,nós o  ´colocávamos em sua caminha  e  a movíamos  acompanhando a trajetória do sol ao longo de nossa sala.Semana passada após quatro dias sem comer,só bebendo um pouco de água o Pitico foi levado ,neste sábado, uma vez mais ao veterinário.Recebeu medicamento e soro.Mas o prognóstico era irreversível.Domingo de manhã  ,mais uma vez o peguei,ele  me reconheceu e o levei para o sol.Acho que esse foi seu ultimo   ato consciente..Passamos,eu e minha filha, o resto da tarde  fazendo –lhe afagos .Como Maria Helena não estava aqui,pegamos um agasalho dela , o enrolamos nele ,para que ,pelo faro ele a sentisse.Ás 16h33min,após quatro tentativas de buscar o ar o Pitico partiu.

Fico com a noticia que minha filha,entre lágrimas ,mandou para a Maria Helena:”Após quatro tentativas de respirar o Pitico  partiu e foi brincar com a Bonnie.”

 

 

 

 

ANNA

Aneta Kucharska  entrou  em minha vida   em uma manhã de sábado, no inicio de 1963,quando o carteiro me entregou ,aquela que seria a primeira de uma serie de 117 cartas , 70 postais e  outra centena de fotos,ao longo dos anos até 1970. Com o passar do tempo Aneta se transformou em Anna e temas culturais ,preferências literárias e dados históricos, quase não surgiam em nossas conversas.Falávamos de nossos sonhos,nossas expectativas  e nossas aspirações.Embora   residente em um país  pertencente ao bloco comunista– estávamos em plena guerra fria—Anna era de família   católica como a maioria do povo polonês.Nascida   pouco antes do término da guerra,em fevereiro de 1945,era filha de um professor de química e  sua mãe era dona de casa.Quando me enviou aquela primeira carta tinha   acabado de completar 18 anos.Eu tinha 20.Estava ingressando na Universidade de Varsóvia e cursava Linguas,mais precisamente Inglês e  Francês.Em 1964 dois fatos relevantes aconteceram: a revolução militar  e, no plano pessoal  uma relação  que chegara ao fim.E, nessa fase dificil ela foi o meu suporte de vida,meu oxigenio e minha âncora.Embora jamais tivéssemos discutido qualquer tema político receávamos que  nossa correspondência  pudesse ser afetada.Afinal de contas ela estava em um país comunista e eu em um país de ditadura de direita.Mas nunca houve qualquer turbulência e continuamos a nos escrever normalmente.Em uma noite de 1966  D. Osvaldina  mãe do Tostão liga pra minha  mãe e diz:” D. Ivone,  o Eduardo( ela não o chamava de Tostão),acaba de voltar da seleção brasileira que esteve na Polonia,em Varsóvia, e trouxe uma encomenda para o seu filho Fabio.Peça-lhe para buscá-la   no Posto Tostão.Ele vai estar lá amanhã de manhã.”Mal pude esperar o dia seguinte.Tostão me recebeu no pequeno escritório e começamos a conversar:
Tostão __Eu estava no saguão do hotel quando uma moça se aproximou  e danou a falar em inglês.Só entendi o seu nome.Me entregou um pequeno   pacote para você.Aqui está.
Eu __Eu não quis abri-lo ali e perguntei:Ela é bonita?Ele me olhou intrigado e surpreso; Tostão __ Perai Fabio,você não a conhece?Ela é alucinada por você!Achei até que vcs já tinham transado!Ela é linda de parar e ficar olhando! Eu disse que só conhecia pelos retratos enviados.Agradeci e me despedi.Em casa abri com ansiedade o pequeno pacote.Dentro,uma caixa de madeira  cuidadosamente trabalhada a fogo e dentro dela uma flor  – Edelweiss- e uma mecha de cabelo cor de cobre delicadamente presa por um pequeno laço.No final de 1969  retomei  meu antigo relacionamento e após 04 meses de muita reflexão tomei a decisão mais difícil de minha vida.Escrevi-lhe uma ultima carta.Sua ultima carta veio em seguida,Não era necessário ler o que estava escrito.Bastava  observar as marcas de lágrimas no papel.Eu sabia que aquilo me acompanharia pelo resto de minha vida .De tempos em tempos  eu me perguntava: por onde anda a Anna? Tomara que esteja bem .Um dia , acho que em 1998, levando minha mãe a uma agencia do Correio em Araxá, estacionei a camionete em frente a uma papelaria e enquanto aguardava percebi bem na porta da papelaria aquele rolo com postais.Num ímpeto escolhi um ,  coloquei o antigo endereço de Varsovia,pedi noticias pus meu endereço e telefone e enviei.Não veio nenhuma resposta.Decorrido um bom tempo,estava eu assistindo TV quando minha filha me diz:”Tem uma pessoa querendo falar com você ao telefone –em inglês. Era Anna .A mãe de Anna recebera o cartão e o enviara para ela em Nova York  onde residia.Era o ano de 2000.Trocamos endereços e  chegamos a trocar algumas cartas.Eu,falando de minha família,das filhas e ela , já divorciada  falando de sua vida, seu trabalho e suas amigas.Nosso ultimo contato foi em agosto de 2012,quando lhe telefonei    para dizer-lhe que estávamos indo para o Leste Europeu,inclusive  Polonia .Ela até nos recomendou visitar a Cracóvia por ser muito bonita.No inicio de 2013,por ocasião do seu aniversario tentei falar com ela.O numero já pertencia a outras pessoas.Tentei ,em vão localizá-la,percorrendo inclusive a lista das vitimas do furacão Sandy,que devastara exatamente  a região onde morava.Finalmente ,fiz uma ultima tentativa, e acessei um certo site.Digitei o nome dela,Aneta Puzi…(sobrenome do ex marido) e então apareceu um numero de um registro “APDDC865240……Fiquei chocado.O site era o New York Obituary. Jamais quererei saber o que aconteceu.Preferí  ficar com o que eu disse a ela naquela ultima carta:”Anna,não importa o que aconteça no futuro,você estará sempre em meu coração.”

Os gaúchos e eu – Santo Angelo

Após deixar Cruz Alta ,seguimos para o oeste,passando por Ijuí até cruzar  para a margem direita do rio de mesmo nome, e chegarmos a Santo Angelo.Engraçado,mas deve  haver alguma lei estadual determinando que as cidades gauchas tenham,todas elas,uma rua 15 de Novembro.Santo Angelo tinha a sua,e, exatamente nela ficava a residência do Seu Aparicio Lemos e D. Adelaide,sua esposa,irmã de minha sogra.Eu já os conhecia pois foram nossos padrinhos de casamento.Foi um contato muito rápido.Eles chegaram em Belo Horizonte no sábado  e o casamento foi na segunda-feira.Um dia conto por que nos casamos numa segunda-feira.Pois bem a cerimônia foi às 19 horas na Basilica de Lourdes  e em seguida fomos pra recepção na Churrascaria Farroupilha  ,de propriedade de meu sogro.Dali mesmo saímos em viagem de lua de mel.Não houve tempo para   maiores conhecimentos .Embora um pouco mais tranquilo após a acolhida que tivemos em Cruz Alta ,o fato é que aquela família ainda me era  praticamente desconhecida.Mas pela segunda vez em dois dias,aquele ar de mineiro desconfiado foi dando lugar  a uma atmosfera de descontração,de  sentimento  de  acolhimento ,de se sentir- em casa ,entre amigos de convivência de longa data.As conversas fluiam de maneira expontanea,natural ,divertida até.Seu Aparicio,D. Adelaide.sua filha Terezinha,o genro Luis – este,patrono de cartas minhas para Maria Helena,endereçadas ao Banco do Estado do Rio Grande do Sul,onde ele trabalhava,e, repassadas secretamente para ela ,quando em férias lá no Sul – faziam com que o tempo passasse sem que nos déssemos conta.

No terceiro dia fomos todos pra fazenda Sta. Terezinha , nas proximidades    das ruínas de    São   Miguel das Missões.A sede da fazenda ficava no alto de uma coxilha.Cerca de oitenta metros abaixo da frente da casa,havia um banhado seguido de uma capoeira    densa o bastante  para proteger nascentes e servir de abrigo e refugio para os animais silvestres..A casa era  bastante confortável,sem ostentação,com moveis sóbrios,e uma cozinha ampla com uma mesa grande    tomando boa parte do espaço.Lá fora  o vento e o frio varriam as coxilhas  sem trégua.

Lá dentro,na cozinha  um grande fogão  ,conhecido dos mineiros como   “fogão de colono”, de seis bocas,ou seriam oito? era alimentado por seis portas,onde a lenha cuidadosamente aparada, era constantemente renovada. De dia fogão, lareira à  noite.Ali   eram servidas todas as refeições, do café da manhã  ao jantar.

Seu Aparício   punha-se de pé entre 4:30  e 5:00 da manhã  e já o fazia  impecavelmente usando seu lenço no pescoço,suas bombachas ,suas botas e esporas.Seu chapéu ficava ali pendurado ao lado da porta, bem a mão caso precisasse.Seu primeiro compromisso do dia era ,ali mesmo na cozinha.De pé , com uma bota apoiada na trava de uma cadeira ,cumpria a sagrado ritual de matear.Só depois disso atravessava o umbral da porta da cozinha para o  pátio do poço , ia até os galpões ,inspecionava  os afazeres do dia  e só então retornava para o café.Era um homem de estatura mediana, de fala  mansa mas era econômico nas palavras.Falava o necessário..A voz tinha um timbre agradável   e suave.Seu sorriso era curto com os lábios  levemente retraídos. Nunca o vi dar uma risada mais aberta.Aquele pequeno sorriso já estava de bom tamanho.Me lembro do primeiro café da manhã:Estávamos à volta da mesa quando ele entrou na cozinha vindo dos galpões, e disse com aquele sorriso maroto  que metade do gado leiteiro estava doente.Ante meu olhar de perplexidade , D. Adelaide enxugando as mãos  no avental  me tranquilizou:”preocupa não Fabio, nós só temos duas vacas  de leite e uma adoeceu.”A farra foi geral e ele lá,com aquele leve sorriso nos lábios.Passamos a tarde  do dia seguinte na varanda da casa, admirando aquela paisagem bucólica ,de coxilhas ,banhados e capoeiras que se sucediam a perder de vista.Para suportar o frio, tomamos, nós todos,seu Aparicio,D. Adelaide,Terezinha,Luis,Maria Helena e eu  ,duas garrafas de cachaça curtida no butiá,passadas de mão em mão,como se fosse uma roda de chimarrão.

Eu ainda veria Tio Aparicio uma ultima vez, em Junho de 1975 , no casamento de meu cunhado em Belo Horizonte.Diagnosticado meses antes , a doença avançava  rapidamente.Ele estava muito debilitado, e, quase não conseguia falar.Mas deu-me aquele sorriso curto e maroto ,já meu velho conhecido..

No dia 13 de março de 1976   — dia em que minha sogra completava  49 anos  — Tio Aparicio   desencilhou sua montaria, lançou suas boleadeiras em direção às estrelas e entrou para e eternidade.

Ano passado Tia Laida foi ao seu encontro.E eu em minha  imaginação os vejo , naquela  querência  eterna, com banhados de águas  serenas  e poços de cristal .Ele, retornando  dos seus galpões , entrando na cozinha, dando aquele sorriso maroto, passando o braço na cintura de Tia Laida, enquanto  diz suavemente em teu ouvido:

“E agora vamos tomar café, minha prenda!

Fabio Botelho/2015