O Portal da Glória

As manifestações ocorridas há poucos dias  em frente à Toca da Raposa dirigidas  ao goleiro Fabio são inteiramente descabidas e beiram a grosseria  e a insensatez.É impensável   se constatar que frases tais como “Fora Fabio” fossem proferidas contra quem ,jamais, em tempo algum,deveriam acontecer.A historia do Fabio, ao longo de todo esse tempo dentro do Cruzeiro é imensamente rica  e pródiga de feitos heróicos,de defesas monumentais de trabalho correto de atitudes dignas e de um profissionalismo hoje tão raro e tão necessário.Destratá-lo como fizeram estes   torcedores ,em nada diminui a grandeza desse goleiro e só serve para  jogar no rodapé da história celeste aqueles que num ato de tremenda infelicidade procuraram  atingir a quem deveriam idolatrar.

A formação do Fabio como goleiro  foi moldada  há mais de 15 anos.Os tempos e os treinamentos eram outros e não se pode cobrar que ele hoje tenha  as aptidões que se exigem  de um goleiro moderno.Eu já disse aqui nesse mesmo espaço que  o Fabio deixa a desejar  na qualidade de saída de bola.Mas é nítido e notório seus esforços na busca de superar  essa deficiência.Dentro da meta é um goleiro magistral.A ofensa proferida não tem explicação e é inadmissível.

A diretoria do Cruzeiro e o Fabio estão em negociações para definir sua continuação ou não.Não sabemos qual será o desfecho das conversas.Ambos,Clube e jogador, tem suas razões e motivações para  poder decidirem  o que seja melhor ou possível.

Entretanto se  ,concluídas as tratativas,confirmado ou não  o encerramento do ciclo do Fabio no Cruzeiro  tenhamos nós  a tranquilidade e a sensatez de reservar a ele um lugar  de destaque   dentre aqueles que ao longo da história ,  conduziram o Cruzeiro ao  esplendor dos dias atuais.

Mas, se porventura  o Fabio sair em busca de novas jornadas e novos sonhos,que o faça pela porta da frente de um clube que sempre honrou com a dedicação e o suor de seu trabalho.

Técnicos e Comisssões Técnicas no Futebol -2

No artigo anterior dessa série  escrevi,embora de maneira superficial,sobre a qualidade do jogador brasileiro  e das dúvidas quanto ao trabalho dos técnicos e suas comissões.Hoje pretendo ser mais crítico e objetivo.E mais uma vez usarei como paradigma a equipe do Cruzeiro.Mas ,desde já , afirmo que o que  vocês irão ler  se aplica a qualquer   equipe do futebol brasileiro.Acompanho os jogos do Cruzeiro ,mais de perto,desde 2013.A conquista do Brasileirão 2013 foi fantástica e incontestável.Repetir a dose em 2014 também  encheu os cruzeirenses de orgulho.Todos sabem como é difícil  esse  torneio,onde os candidatos ao título estão  espalhados por  inúmeros estados da Federação.É tão difícil que o Atlético Mineiro, de grande história, só o conseguiu uma vez há 44 anos.Mas não devemos deixar que essas conquistas mascarem as deficiências  que pude observar e que no meu entendimento  passam  pela responsabilidade dos técnicos.Vamos a elas:

–O  Cruzeiro não tem,há mais de três anos,um batedor de faltas de qualidade.E como faz falta um Ronaldinho no time!Quantas vezes ele decidiu jogos para o Galo.Por que ninguém foi treinado .o quanto necessário, para executar essa função?E continuamos sem esse jogador.!

–O  Fabio e de sorte,toda a defesa do Cruzeiro não sabe sair jogando.O chutão ainda é a melhor opção.Quantas vezes,após uma defesa  a zaga sai caminhando de costas para ele.Ele não tem com quem jogar, e sua qualidade para chutar é  sofrível.Aqui faço uma inconfidência;ano passado,mais precisamente em maio,antes da Copa e antes da excursão do Cruzeiro aos Estados Unidos eu disse  ao Marcelo Oliveira da necessidade de treinar o Fabio e a defesa a sair jogando.Ficou patente,pelo menos para mim que o Marcelo,educado e de mente aberta como é   buscou aprimorar  essa  saída de bola  e   observamos, no retorno da excursão,  uma postura melhor do Fabio nesse quesito.Mas parece que essa evolução  estagnou.

–Vou  fazer um comentário aqui que ,certamente irá surpreender ou até estarrecer, torcedores,técnicos  e comissões.O Cruzeiro de 2013,2014, e neste 2015,só conseguiu    colocar a bola na rede,na situação em que se defrontam,frente a frente ,atacante e goleiro adversário – como Allison contra o Vitor  no clássico—em 02 oportunidades, , uma do Leandro Damião e outra do Allison na excursão.E digo mais:Dagoberto,Marcelo Moreno,Borges, Goulart,Vinicius Araujo,Everton Marlone,Julio Batista, o próprio Allison,todos eles –sem exceção– vivenciaram essa situação e não converteram.Chutaram a bola no peito do goleiro.Faltaram-lhes competência e, principalmente treinamento para   que tivessem sucesso.A   incrível perda  do Allison no clássico  mostra que nada mudou.E  essas situações ocorrem praticamente em todos os jogos.Os treinadores deveriam dar mais atenção  a este problema.

–E, finalmente  mas muito importante é a qualidade do passe e das finalizações que considero mediocres ,não só no Cruzeiro, mas em todo o futebol brasileiro.E como isso é endemico e repetitivo  pode-se concluir que há uma grave deficiencia de treinamento  nesses   cruciais  fundamentos.

Até mais!

Técnicos e Comissões Técnicas no Futebol — 1

Em um passado recente escrevi um artigo  com o seguinte titulo:Por onde anda o bom futebol?Ali naquele espaço comentei  sobre a má qualidade do futebol atualmente jogado na Serie A do Brasileirão e também da baixa qualidade dos atletas.Hoje gostaria de comentar sobre   treinadores e comissões técnicas.Mas , caros leitores, alguém poderia me perguntar:mas você então acompanha de perto  os trabalhos desses profissionais,não è?Não,não frequento  nenhum CT de qualquer clube .Meus diagnósticos se baseiam   principalmente,no acompanhamento da performance  das equipes e dos jogadores durante as partidas,  e pela percepção de  erros repetidos,partida após partida,que uma equipe comete.Aí dá pra você avaliar se o treinador está agregando mais qualidade ,coletiva ou individual  ao longo de seu trabalho.Não é o que tenho visto.O que  na realidade se vê, é a grande rotatividade dos treinadores,sempre levando para o novo clube as mesmas ideias e métodos  aplicados no   emprego anterior,e, que provavelmente lá não surtiram efeito.Caso contrario ainda estariam lá.Muitos acham, especialmente aqueles que promovem a troca do técnico,que o simples fato de mudar já é suficiente.Mas não é.E se o for,o será por um curto espaço de tempo.Logo as coisas voltam ao estagio anterior.E  aí se muda novamente ,e por aí vai.Por isso é importante um planejamento cuidadoso no inicio da cada temporada.Uma vez definido o treinador, o próximo passo é,com ele,estabelecer   o plano de trabalho,definir quem fica,quem sai e quem deve chegar  para  suprir as eventuais necessidades.A pré temporada não pode  servir apenas para condicionamento físico ou mesmo trabalho coletivo.È preciso ir além.Eu costumo usar uma metáfora  bem interessante:em qualquer trabalho de grupo, voçê   tem que  olhar não só a floresta,mas também   cada arvore individualmente.Principalmente as árvores.O que isso significa?Não se deve ter foco apenas no grupo ( a floresta). Cabe ao treinador e sua comissão,fazer um diagnóstico de cada jogador:suas qualidades e suas deficiências;e para estas estabelecer    treinamentos específicos para  melhor qualificá-lo. Melhorias individuais  certamente melhorarão  o rendimento coletivo . E tem que ter acompanhamento e avaliação  permanentes.Essa mesma filosofia deve ser  implementada nas categorias de base.Quando o jovem chegar à equipe principal ele estará quase pronto e sem vícios  que impeçam o seu progresso profissional.Esse trabalho integrado de todos os treinadores   desde a base até os  profissionais  tende a, no médio e longo prazo,ser altamente compensador.

Até mais!