Praia Clube- Uma temporada perdida?

Confesso aos amigos leitores que a saida do Paulo Cuoco do comando do Praia Clube ,encerrando um ciclo de 7 temporadas de resultados aquém daqueles que os diversos elencos nos permitiam almejar, me encheu de esperança.Com ele o Praia nunca atingiu um padrão de jogo compativel com a capacidade das atletas que o compunham. A chegada do Marcus Miranda para comandar a equipe na temporada 2024/2025 criou em todos nós, admiradores do clube praiano uma enorme expectativa.Acreditávamos firmemente que aqueles tempos passados estariam melancolicamente incorporados ao acervo histórico do Clube.Nada poderia ser pior que aqueles tempos do Paulo Cuoco.Agora, que podemos acompanhar mais de perto o trabalho do Marcus Miranda começo a perceber que, longe de nos tranquilizar, o trabalho vem se revelando um desastre que, se não for reavaliado, significará uma perda total da temporada. Composto de atletas brilhantes quando olhadas individualmente, quando juntas em quadra , o desempenho é desesperadamente assustador.Varias são as causas desse desacerto da equipe.Vamos por partes. 1- O saque das atletas do Praia, exceção da Sofia, está entre os piores da Superliga- basta ver as estatisticas.Não é só na sua agressividade, mas tambem na sua acertividade.Contra o Pinheiros o Praia errou 16 saques. Alguém notou nos quatro meses da Superliga alguma melhora no desempenho das atletas nesse fundamento?Continuam executando o serviço da mesma maneira.Onde está o treinamento?Se o tem por que não há evolução do mesmo?. 2- . Há problemas na qualidade dos levantamentos? Sim. Macris não consegue receber o chamado passe A , na maioria das vezes. Macris faz o que pode . 3. O ataque do Praia é fraco? Claro que não!Considero Sofia, Caffrey e Nya Reed atacantes de altissimo potencial. Estão entre as melhores da Superliga.4- E a recepção?Bem, a recepção do Praia quando as três estrangeiras estão em quadra se revelou uma verdadeira tragédia.Está aí na recepção de péssima qualidade, a origem de todos os males que acontecem dentro da quadra. e esses males vão minando a confiança das atletas, levando-as ao descontrole emocional,ao desgaste psicológico e fisico e aí, a equipe desaba. No jogo hoje contra o Sesi as jogadoras do Praia davam a impressão de estarem sem forças até para saltar.5- O bloqueio de meio de rede tambem é muito irregular. E, atleta sair batendo no peito quando consegue realizar um bloqueio não ajuda em nada o trabalho da equipe.Ela não joga sozinha.

Reservei para o final uma analise do desempenho do treinador. 1- O comportamento do treinador ao lado da quadra é ruim. Suas abordagens não causam nenhum efeito prático. 2- Sua teimosia e insistencia em manter em quadra um sistema de recepção totalmente equivocado é o principal causador do naufrágio da equipe. Ele erra grotescamente quando inicia o jogo com as três estrangeiras em quadra .Ele deveria começar com uma recepção forte para gerar tranquilidade na equipe.Ele oferece aos adversários, de cara , toda a fragilidade de sua recepção.Os adversarios devem achar maravilhoso ter a oportunidade de massacrar e destroçar a equipe desde o primeiro serviço..E isso tem acontecido ,sistematicamente, desde meados da Superliga.Os adversarios recebem, de graça, o caminho para a vitória.3-E, a cada jogo,quando se espera que o treinador vai corrigir o problema, ele ,teimosamente repete a mesma escalação que tinha comprometido o resultado na partida anterior.Chega-se à conclusão que o trabalho do treinador é muito ruim e não consegue enxergar o óbvio.Receio que o prognóstico para o sucesso da temporada possa,desde já, estar comprometido. O tempo dirá.

P.S. Lendo hoje (08/02) a entrevista pós jogo da Adenisia alguns pontos me chamaram a atenção.Primeiro – parte do que ela disse foi simplesmente protocolar ou seja o óbvio.Segundo – Para quem fala em trabalhar em equipe soa estranho vê-la não comemorar com as companheiras quando realiza um bloqueio e sim correr sozinha para celebrar com a platéia.O correto e esperado era vê-la comemorar com a equipe.Principalmente por ela ser a capitã.Terceiro- Corroborando o que o texto acima disse, o saque das atletas do Praia é um dos piores da Superliga.O erro dela,num momento crucial da partida não chega a ser surpresa.Quarto- Em momento algum ela fala da necessidade de intensificar os treinamentos . Não só de saque,mas principalmente da recepção.Quinto – Talvez o mais grave.Nem ela nem qualquer outra atleta tem a minima noção das causas dos repetidos fracassos;porque mesmo nas vitorias apertadas os erros se repetem em profusão.Sexto – Pelo visto nem o treinador sabe as causas dos problemas.

Alvíssaras Jackie Silva !!!!

Assistí hoje parte da entrevista da Jacqueline Silva, nossa mais ilustre levantadora no volei feminino. Interessantíssima em varios aspectos, franca e contundente em outros tópicos, Jackie , literalmente ,colocou o dedo na ferida. E, para minha glória falou aquilo , que de há muito tenho manifestado em meus escritos, sem que tenha sido ouvido no mundo do voleibol,principalmente o feminino. O comando do voleibol no Brasil virou uma espécie de reserva de dominio. Existem dois feudos um masculino e outro feminino, igualitariamente entregues a dois suseranos ou senhores feudais , que os comandam há décadas , e, ao que parece, não têm a minima intenção de abrirem mão deles.E, para tornar as coisas ainda mais complicadas, a crônica especializada,composta de narradores e comentaristas, de há muito se tornou, nada mais que bajuladores desses senhores feudais. Basta um deles acertar um pedido de desafio para ser chamado de genio. Chega a ser irônico se não fosse trágico. Jacqueline , com sua objetividade e argúcia ,disse, com todas as letras que já é hora desses caras irem embora, e mais , levando junto seu séquito de auxiliares.Nas palavras dela: ” eles pensam que o mundo precisa deles; vão ficar lá para toda a vida?” Não há nenhuma dificuldade em reconhecer o mérito desses senhores pelo trabalho que desenvolveram; mas para tudo há um limite.É preciso que larguem o osso. Há vinte anos no comando da seleção feminina, o atual treinador, simplesmente inibiu qualquer possibilidade de surgimento de outros profissionais. Essa longevidade foi, e é ,altamente danosa à evolução do voleibol feminino brasileiro. Sua presença, aliás incomodativa, à beira da quadra o transformou no ser supremo: ele é o treinador, o levantador, o instrutor do bloqueio, o posicionador das atletas em quadra, tudo a um só tempo. Com isso, as levantadoras perderam a capacidade e a liberdade de criar. Ficaram medrosas, sem coragem de ousar e de tomar decisões.As demais atletas também sentem na pele essa insegurança e desconforto.Os nervos ficam a flor da pele e o debacle emocional é só questão de tempo, Se perdem desabam no choro, se ganham, também. É preciso trazer o protagonismo do jogo de volta para dentro da quadra ,permitindo que as atletas desenvolvam todo o seu potencial com liberdade.Não é papel de treinador,correr daqui pra ali azucrinando ouvido de jogadora.Isso só demonstra que o trabalho do dia a dia do treinador é ruim. O jogo tem que ser mais lúdico,mais solto, onde a alegria seja o principal combustivel para buscar a vitória.Vejam o exemplo da seleção feminina norteamericana; estando ou não à frente no placar ,jogam com alegria.Alguém já viu o Karch Kiraly, treinador da seleção americana, infernizando a vida das atletas na beira da quadra?Ou o Manabe do Japão, o Lavarini da Polonia , o Santarelli da Turquia, dando piti? E essa maneira grotesca do treinador brasileiro sair pulando pela quadra precisa acabar. Chega a ser patético esse narcisismo chamativo !Finalmente, parabéns à Jackie pela coragem em abordar os assuntos de forma clara e objetiva.

O que acontece com o Praia Clube ?

Embora seja necessário considerar que a equipe de volei do Praia Clube sofreu, desde a última temporada , uma reformulação profunda , isso não deve servir de justificativa para suas performances muito abaixo do esperado.Quando varias jogadoras simultaneamente, tem atuações muito aquém de suas capacidades já conhecidas , é preciso um olhar mais cuidadoso do que realmente possa estar acontecendo. Quando varias atacantes, sejam elas ponteiras, meios de rede ,ou opostas estão com desempenho ruim , com certeza o problema não está nelas. Na verdade elas são mais vítimas do que vilãs. Indo mais fundo nessa análise , constata-se dois cenários prováveis da origem dos problemas. O primeiro deles está na qualidade de recepção e passe das responsáveis por tal função.E a equipe do Praia tem pecado muito na execução desses dois fundamentos. O segundo problema , aliás o mais contundente , se dá na baixa capacidade da levantadora de executar tal função com mais pericia e qualidade.No penultimo jogo do Praia pude observar que a levantadora levantou em sequencia três bolas para a Kuznetsova , simplesmente atrás da russa, obrigando-a a levar o braço para trás para realizar o ataque.O mesmo acontece com relação à Tainara, Lorena ,Adenisia ,Kasiely e Monique.Não é sem razão que o Praia é o maior passador de bolas de graça para a quadra adversária , pela simples impossibilidade de se efetuar o ataque , tal a má qualidade do levantamento. O que não se entende é a insistencia do treinador em manter essa levantadora em quadra enquanto outra levantadora , de nivel de seleção , amarga ,inexplicavelmente ,o banco de reservas. .Aliás tenho sérias restrições à capacidade dessa Comissão Técnica de implementar qualquer melhoria na equipe.Para ter um saque de melhor qualidade – salvo Kuznetsova – o serviço das demais jogadoras, em grau diferente para cada uma, precisa ser mais agressivo e eficaz . Também é urgente ajustar o bloqueio , que está muito longe de performar com sucesso essa função. Na realidade faltam ao Praia Clube identidade e volume de jogo que essa Comissão Técnica em 07 temporadas jamais conseguiu implementar, mesmo tendo `a disposição sempre o melhor elenco da Superliga.