Comentaristas Esportivos

Sempre acompanhei com muito interesse ,curiosidade e até divertimento o papel dos comentaristas esportivos nas varias modalidades de esportes.Mas confesso que me identifico bastante com o volei e o futebol daí meu interesse ser mais voltado para essas duas modalidades esportivas. São mais de 50 anos vendo futebol e mais de 20 anos de assistir ao volei.Me considero um bom entendedor dessas duas modalidades.No futebol, sou do tempo de ouvir os comentarios de Osvaldo Faria, de Jairo Anatolio Lima, de Kafunga,de Sergio Ferrara e tantos outros de expressão nacional. como Jorge Curi,Mario Vianna (com dois enes) e Oduvaldo Cozzi.Mas, hoje , constato , mais com tristeza do que com surpresa, que a qualidade dos comentaristas , principalmente nas ultimas duas décadas, esteja em um nivel tão ruim. Trocando em miúdos dou como exemplo o que ocorreu com a equipe do Cruzeiro.Desde 2017 venho alertando ,aqui nesse espaço e também fora dele, a precariedade flagrante do futebol apresentado pelo time . A cada temporada era visível a deterioração do desempenho mostrado em campo.Registrei aqui, inclusive dando nome aos bois, o declinio técnico e fisico de varios jogadores . Mostrei minha preocupação com os caminhos dificeis que espreitavam os destinos celestes.Em dezembro de 2018 disse que o Cruzeiro , com aquele elenco não teria condições de suportar o Brasileiro do ano seguinte. A serie B era questão de tempo, e, ela chegou.Dito isso volto aos comentaristas .Nunca ouví de qualquer comentarista, de qualquer emissora de radio ou Tv. uma palavra siquer de análise franca e honesta sobre a espiral decadente e melancólica que a equipe celeste experimentava. Jogadores com atuações abaixo da crítica, qualidade infame na troca de passes, finalizações ridiculas e cruzamentos de causar vergonha,tudo isso acontecendo à luz do dia, sem que se ouvisse desses ditos comentaristas , pagos para analisar os fatos, quaisquer menções aos descalabros.Nunca foram e, nunca vão ao cerne da questão; se limitam a ficar na superficie dos acontecimentos.Falta-lhes coragem para expor a realidade ,talvez com medo de ferir suscetibilidades., ou de desagradar àqueles com os quais convivem no dia a dia nos centros de treinamento das equipes.São mais burocratas do futebol do que comentaristas esportivos.O mesmo se pode dizer dos comentaristas de partidas de voleibol.Minha esperança é que, em algum momento alguém enxergue o óbvio.Se prestam mais a fazer elogios a treinadores do que criticá-los pelo desempenho ruim de suas equipes.Veja-se o caso do Praia Clube.A equipe tem , pela 4ª temporada, a mesma Comissão Técnica.Até a data de hoje, a equipe não tem um padrão de jogo sólido e consistente.O jogo , dito e falado como heróico e épico contra o Minas Tenis, pela Copa do Brasil foi realmente um jogo duríssimo.O trágico é que,mesmo jogando mal o Praia vendeu caro a derrota.Tivesse ele uma melhor levantadora( O Praia é a equipe da Superliga que mais passa a bola de graça para a quadra adversária ,pela absoluta incapacidade de sua levantadora em propiciar um levantamento de qualidade) e também um técnico mais qualificado, o desfecho do jogo poderia ter sido outro..Infelizmente sua levantadora joga no limite de sua competencia.Não dá para exigir dela aquilo que ela não tem para oferecer.Ou seja: a margem de erro que se lhe permite é zero!Mas, alguém ouviu algum comentário desses “especialistas” dizendo que, em nenhum momento dos 05 sets, o Praia comandou o jogo e o placar?Sempre correu atrás do prejuízo, e, os dois sets ganhos foram decididos nos finais dos mesmos.Alguém ouviu algum comentario , no jogo do Praia contra o Osasco, na ultima sexta feira do desastre que foi o desempenho da equipe?Alguém comentou que o caos imperou na quadra praiana do primeiro ao ultimo ponto do jogo?Alguem comentou das trombadas entre jogadoras ,( mais de uma vez), delas correrem feito baratas tontas sem saberem o que fazer?E o ineditismo da oposta praiana sair correndo de sua posição na um, atravessar a quadra em diagonal ,chegar até a quatro,daí passar pela cinco ,tudo isso correndo freneticamente até retornar à origem!E olha,não foi a primeira vez que ela fez isso! Alguém comentou que quando vão para o tempo técnico , voltam à quadra sem qualquer tipo de instrução objetiva e clara do que fazer?Alguem por ventura comentou que o técnico é incapaz de enxergar e interpretar para suas atletas o que ocorre dentro da quadra e a partir daí instruí-las para sanar os erros?Alguém comentou que esse técnico espera a sua equipe cometer erros absurdos e ficar atrás 05 pontos antes de pedir tempo?Todos os demais técnicos da Superliga Feminina,sem exceção, especialmente das grandes equipes, param o jogo quando o adversário descola em dois pontos.Esses comentaristas, como os ditos anteriormente, ou não veem ou fingem que não veem os descalabros escancarados que acontecem nas quadras.Essa cegueira, proposital ou não, não contribui ,de forma alguma, para a melhoria do esporte.Pelo contrário,só atrasa o seu aperfeiçoamento.Se, em vez de ficar jogando confete em maus treinadores, desempenhassem com competencia seu oficio ,os apreciadores do esporte agradeceriam

Fazenda Santa Cruz

A Fazenda Santa Cruz(cuja foto ilustra esse blog), situada no extremo sul do municipio de Perdizes em Minas Gerais, era parte integrante da Fazenda Perdizes de propriedade de Otaviano Martins Borges meu bisavô materno.A Fazenda Perdizes possuía uma area de cerca de 2000 alqueires mineiros ou algo em torno de 98.000.000 de metros quadrados,equivalentes a 15500 campos de futebol. Com sua morte foi desmembrada em 04 propriedades rurais onde coube a meu avô Hilderico uma área de 360 alqueires constituindo a Fazenda Santa Cruz. Aos demais herdeiros coube o restante.E foi ali naquela abençoada terra que, por longos períodos,curtí a minha infancia.E, hoje, apesar desse tempo estar já tão distante, ainda me sobressalto com imagens,histórias e fatos que me invadem a alma, algumas poucas vezes me torturam e, na maioria das vezes embalam meu coração em lembranças , ternamente doces e nostálgicas.A figura esguia e frágil de meu avô à janela da sala de jantar; minha amada d. Odilia , nas suas andanças rápidas pela cozinha a preparar as massas de biscoitos , broas e pães de queijo, onde, curiosamente , em cada massa fazia uma cruz com os dedos da mão esquerda numa especie de ritual,sem o qual nada daria certo; meus dois tios indo e vindo na sua luta diaria de fazer as coisas acontecerem.O quarto de despejo onde se penduravam os cachos de banana e se guardavam os cereais.A queijeira , cenário de labutas de minhá avó com suas mãos já calejadas pelo reumatismo, na feitura dos queijos , fonte de renda necessaria e indispensável na sustentação das despesas.O paiol,a varanda do carro de boi,a casa da bica, o monjolo que de tempos em tempos ressoava no pilão seu som surdo,compassado e continuo;a horta de couve, o carneiro hidráulico na sua batida seca ao bombear água para o reservatório.E a casa!Ah a casa!Construída por volta de 1915,esse casarão de 06 quartos de pé direito alto , de portas vigorosas exalava em todos os seus ambientes uma aura de extrema serenidade refletindo todo o sentido de familia ali presente.Seu enorme salão abrigava a mesa de jantar , o telefone que ligava as fazendas, o radio a pilha e acima dele o majestoso relógio , em madeira negra, com um cavalo esculpido em seu topo e cujas batidas ecoavam como música por toda a casa. Tudo isso é fruto da minha vivencia dos tempos de menino.Mas há algum tempo ao ver uma foto desta casa o coração bateu forte.Machucada pelo tempo, seu jardim abandonado,suas cercas caindo nos davam a sensação de uma historia em plena caminhada para o esquecimento.Mas, recentemente minha tia teve a idéia iluminada de fazer sua restauração, e assim restabelecer a sua dimensão histórica para todos aqueles ,que,de uma forma ou de outra, desde os mais antigos até os mais recentes, vivenciaram ali parte de suas vidas e de suas trajetórias.E assim foi feito.Os móveis de quarto de meus avós retornaram ao lugar de origem , outros móveis foram instalados , nova pintura e novos ambientes foram alí criados com todo o cuidado e zêlo para que se preservasse todo o espírito original.Do lado de fora, junto com o pé de manacá remanescente daqueles velhos tempos ,grama,folhagens e flores multicoloridas alegram e dão vida aos jardins agora caprichosamente protegidos por cercas imaculadamente brancas. .Mas, lá dentro, tenho certeza, os espiritos dos meus avós e tios reencontraram aquele ambiente familiar dos tempos idos , que para todo o sempre aquecerão nossos corações.

Reminiscencias

Essa quarentena para nós que já passamos dos 70 , tem se revelado uma oportunidade singular de   nos voltarmos para nosso interior , relembrando fatos, estórias  e experiencias  por nós vivenciados ao longo de nossa trajetória pessoal e profissional.Ainda hoje vários de meus amigos do Usigole( Confraria dos Aposentados da Usiminas), resolveram abrir seus baús de vida e publicaram fotos daqueles tempos de outrora.Resolvi  fazer o mesmo.E saí pelo apartamento abrindo gavetas e armários em busca  de pedaços de minha história.E parte importante dessa história  ocorreu no Japão onde estive por três vezes,em 1975,1977 e a última em 1990.Foram experiencias incríveis que me permitiram observar como um País milenar promoveu mudanças  tão profundas no curto espaço de 15 anos.Um país que tinha em 1975 como âncoras de sua maior rede de TV , a NHK  três homens ,em 1977  2 homens e uma mulher e em 1990 2 mulheres e um homem; que em 1975 as garconetes fugiam dos ocidentais  nos restaurantes e que em 1990 se adiantavam para nos atender,na expectativa de treinar seu inglês, para ficar apenas nesses dois exemplos.Isso tudo ,era para mim, lições  de vida e de sabedoria daquele fantástico e acolhedor povo.Eu sempre tive como objetivo, não me prender apenas aos aspectos técnicos do meu treinamento;era parte obrigatória durante minha permanência naquele chão , tão diferente  de nós, tentar assimilar tudo aquilo que , no meu julgamento, me tornaria uma pessoa melhor ,mais consciente  e mais segura dos meus princípios.Os comportamentos, as atitudes, o respeito rígido aos horários e compromissos sempre me encantaram.Não fui, durante os seis meses que lá permanecí, vitima de desrespeito, de preconceito ou de indiferença por parte de qualquer pessoa.Eram para comigo amáveis e leais.E hoje, ao rever fotos daquela época me senti rejuvenescido  , nostálgico sim, mas tremendamente gratificado  por ter vivido com tanta riqueza  essa parte de minha vida.Daquela parte do mundo eu só trouxe  alegrias.A grande amargura que, ainda hoje sinto em relação aos japoneses não ocorreu lá.Em 1990, fui atendido dentro da Usina de Kimitsu por um jovem engenheiro e nos tornamos amigos.Convidado para um jantar em sua casa,conhecí sua jovem esposa e suas duas filhinhas.Fiquei imensamente feliz quando soube de sua vinda à Usiminas para nos fornecer assistencia técnica  na área de Caldeiras,sua especialidade.Terminada a   assistencia fizemos uma reunião final  para  ouvir suas recomendações.Seu relatório  concluía que nossas caldeiras estavam muito bem cuidadas e  chamava nossa atenção para nunca se descuidar da qualidade  no tratamento da água das caldeiras.A reunião final com a Chefia Geral da Usina e com todos os departamentos onde houve a presença de assistente técnico seria na sexta feira da semana seguinte.Nessa reunião cada assistente técnico fazia um breve relato de suas atividades e conclusões.Enfim chegou a hora do Satoshi Horita apresentar seu relatório, onde praticamente repetiu o que já tinha  dito  anteriormente.Aí a desgraça aconteceu!O chefe geral da Usina, recém  ocupante do cargo, pouco sabia de altos fornos,aciarias ou laminações e então nada perguntou dessas áreas,mas sabia tudo sobre caldeiras ,pois tinha sido o chefe dessa   área.Resolveu então que alí estava uma ótima oportunidade de mostrar seus conhecimentos.Ele fazia uma pergunta e o Horita respondia.Então ele fazia outra um pouquinho mais detalhista sobre aspectos pouco relevantes.E não parava e dizia coisas como …. mas e aquela válvula?e aquele parafuso?E o Horita foi se incomodando com aquele interrogatório e não sabia mais o que responder pois não sabia onde o chefe queria chegar com aquela insistência.E, vermelho de nervosismo, na ânsia de acabar com aquela situação,soltou  que na realidade as caldeiras estavam muito mal cuidadas. e poderia haver acidentes.Foi aquele constrangimento geral e o chefe dele falou que o relatório dele seria reavaliado.Conclusão:o relatório  foi confirmado mas o dano já estava feito.Ao retornar ao Japão Horita foi destituido de sua chefia e perdeu todas as chances de promoções futuras.Ao me encontrar com o Chefe depois da reunião lhe disse com todas as letras:” vc com toda a sua insistencia em mostrar conhecimento  simplesmente destruiu a vida de um excelente engenheiro japonês.” Virei as costas e fui embora.