Embora seja necessário considerar que a equipe de volei do Praia Clube sofreu, desde a última temporada , uma reformulação profunda , isso não deve servir de justificativa para suas performances muito abaixo do esperado.Quando varias jogadoras simultaneamente, tem atuações muito aquém de suas capacidades já conhecidas , é preciso um olhar mais cuidadoso do que realmente possa estar acontecendo. Quando varias atacantes, sejam elas ponteiras, meios de rede ,ou opostas estão com desempenho ruim , com certeza o problema não está nelas. Na verdade elas são mais vítimas do que vilãs. Indo mais fundo nessa análise , constata-se dois cenários prováveis da origem dos problemas. O primeiro deles está na qualidade de recepção e passe das responsáveis por tal função.E a equipe do Praia tem pecado muito na execução desses dois fundamentos. O segundo problema , aliás o mais contundente , se dá na baixa capacidade da levantadora de executar tal função com mais pericia e qualidade.No penultimo jogo do Praia pude observar que a levantadora levantou em sequencia três bolas para a Kuznetsova , simplesmente atrás da russa, obrigando-a a levar o braço para trás para realizar o ataque.O mesmo acontece com relação à Tainara, Lorena ,Adenisia ,Kasiely e Monique.Não é sem razão que o Praia é o maior passador de bolas de graça para a quadra adversária , pela simples impossibilidade de se efetuar o ataque , tal a má qualidade do levantamento. O que não se entende é a insistencia do treinador em manter essa levantadora em quadra enquanto outra levantadora , de nivel de seleção , amarga ,inexplicavelmente ,o banco de reservas. .Aliás tenho sérias restrições à capacidade dessa Comissão Técnica de implementar qualquer melhoria na equipe.Para ter um saque de melhor qualidade – salvo Kuznetsova – o serviço das demais jogadoras, em grau diferente para cada uma, precisa ser mais agressivo e eficaz . Também é urgente ajustar o bloqueio , que está muito longe de performar com sucesso essa função. Na realidade faltam ao Praia Clube identidade e volume de jogo que essa Comissão Técnica em 07 temporadas jamais conseguiu implementar, mesmo tendo `a disposição sempre o melhor elenco da Superliga.
Author: fabiobbotelho
O Peso de uma camisa
Alguem se lembra do número da camisa do Leonidas na Copa de 38? Ou do Zizinho em 50? Ou do Mauricio levantador da seleção brasileira no volei de outrora?Ou mesmo do magico William Arjona , levantador ainda recente do volei atual? Da Virna? Da Fabiana ? de Oscar?Arrisco afirmar que poucos guardam esses números na memória.Mas tenho quase certeza que todos nós sabemos quem foram esses atletas e o que de fantástico nos proporcionaram ao longo de suas vitoriosas carreiras. Seja nos gramados dos estádios de futebol, seja nas quadras de volei e basquete suas façanhas estão, para sempre eternizadas.Entretanto coube a outro genio do esporte estabelecer um novo paradigma de identificação dos heróis do esporte. Seu nome? Edson Arantes do Nascimento, mais conhecido por Pelé. Numa espécie de simbiose mágica Pelé e a camisa 10 viraram uma coisa só. Quanto mais Pelé encantava o mundo mais a camisa 10 encarnava a imagem da genialidade. Com o passar do tempo a imagem se desgarrou do genio e passou a ter vida própria, e, todo aquele que a veste ,em qualquer esporte carrega em si a responsabilidade de mostrar talento. Assim, a expressão ”fulano é o camisa 10 da equipe ” se tornou emblemática, e, aquele atleta que leva o 10 em suas costas passou a ser, por principio, um atleta diferenciado.E isso ocorreu em outros esportes que não o futebol.Veja o exemplo da Gabi.Atleta fantástica do voleibol, uma das melhores do mundo na atualidade, capitã da seleção brasileira de volei, capitã de sua equipe na Turquia , ostenta em seu uniforme, nada mais nada menos, que o número 10.Mas fatos recentes no mundo do esporte parecem estar distorcendo o significado de camisas históricas e icônicas. Com a queda do Santos Futebol Clube para a serie B, um dirigente deste Clube informou que a camisa 10 , em respeito à sua história não será usada na próxima temporada, para preservá-la da humilhação. Talvez um dirigente mais iluminado pudesse ter uma visão diferente e dizer que a camisa 10 encarna toda a trajetoria do Rei e sua presença ,longe de qualquer humilhação, representa a consagração de poderem, esses novos estádios secundários ver desfilar por seus gramados a camisa 10 santista ungida com a graça, a leveza, e a genialidade de quem foi o maior atleta de todos os tempos.
Também considero sem qualquer relevancia retirar dos estadios ou quadras de esportes camisas de certos atletas que marcaram época no clube.O melhor modo de eternizar esses atletas não é suprimindo suas camisas da visão do público., mas, pelo contrário, mostrando-as em suas quadras ou estádios ,para que estejam sempre lembrando aos seus torcedores os idolos de outrora. Aposentar a camisa 1 , como fez o Praia, não me pareceu uma homenagem justa à grandeza da Walewska. Teria sido mais significativo se os dirigentes praianos determinassem que sempre estaria presente em quadra uma atleta ostentando aquela camisa tão brilhantemente defendida por ela.Aí sim, seria uma homenagem permanente que nunca cairia no esquecimento.
Nadou,nadou, mas não morreu na praia
Quando o Praia Clube foi campeão da Superliga Feminina de Volei em 2018 , vislumbrava~se para este fantástico clube do Triangulo Mineiro, mais especificamente da cidade de Uberlandia um futuro de sucessivas conquistas.Mas, apesar de elencos sempre recheados de estrelas tal futuro nunca aconteceu. Após o título de 2018 poucos sucessos de alguma relevancia marcaram a trajetória do Clube. Entretanto , o troféu mais cobiçado sempre lhe escapava das mãos. Embora estivesse sempre entre os mais cotados , na derradeira hora a equipe,inexplicávelmente , fraquejava. O Praia sempre se comportava como um carro de Fórmula 1 , numa corrida de sessenta e duas voltas: liderava o percurso em 61 voltas e perdia na última. Acompanho, sempre com muita atenção e interesse as partidas do Praia Clube desde seu surgimento no circuito brasileiro de volei.Embora o que eu diga possa parecer cruel e injusto, eu o faço com convicção de muita observação e análise. Eu sempre me perguntava; como uma equipe que possui o elenco mais forte, mais qualificado , com uma infraestrutura , material e financeira, invejável , nadava, nadava e , literalmente,morria na praia? A meu ver o Praia Clube tem duas vulnerabilidades , que, desde 2018 persistem e , mesmo agora sendo campeão, não foram sanadas. Me refiro a essa Comissão Técnica e à levantadora Claudinha. Considero essa CT fraca, incapaz de enxergar os problemas e, se não os enxerga ,não tem como corrigi~los.Dois exemplos recentes: Jineyry tem um indice elevado de erro de saques;erro sistemático pois é sempre o mesmo ~saque na rede .Nunca foi corrigido. Tainara, de alto potencial, está completamente perdida sem saber qual deve ser o seu saque. Como consequencia de sua insegurança ela fica variando e não evolui neste fundamento.Outra coisa: ela ainda não aprendeu a usar a pingada ou a explorar o bloqueio e com isso , sem orientação e treinamento também não evoluirá tecnicamente..Outra falha dessa CT ocorre quando o treinador demora a parar o jogo.Deixar o adversário se descolar 4 ou 5 pontos torna a virada extremamente improvável.Basta olhar as estatisticas para perceber que são raras as situações em que o Praia consegue uma sequencia superior a 3 pontos consecutivos.Este é um problema antigo não percebido pelo encarregado das estatisticas da equipe.Quanto à levantadora pode~se dizer que é uma boa levantadora quando se trata de jogos contra equipes de menor expressão..Nos jogos mais dificeis é que se percebe suas limitações. O Praia é o clube que mais passa a bola de graça para a quadra adversaria em virtude da imperfeição da levantadora no exercicio de seu oficio.Ou a bola é baixa, ou muito alta, ou espetada na rede, ou atrás da cortadora não restando à atacante senão passar a bola para o outro lado..Que o digam Waleuska e Fabiana quando eram centrais do Praia ou Carol e Jineyri nos dias atuais. Na realidade , não é facil perceber as imperfeições da levantadora porque a qualidade das atacantes ,muitas vezes supera essas dificuldades, mascarando os problemas. Creio que a permanencia de ambos, CT e levantadora, não garantem boas expectativas para a próxima temporada.Será um Praia Clube com um elenco inteiramente reformulado. Oxalá as coisas se encaixem.Mas é importante registrar aqui a brilhante conquista de Campeão da Superliga 2022/2023.Fizeram uma bela campanha coroada com uma inquestionavel exibição na final,sem dar a minima chance ao Minas Tenis Clube. Uma pena que montaram uma seleção da Superliga inteiramente política ,com criterios duvidosos onde,do Praia, apenas Carol se fez presente, mas onde, também com justiça, deveriam estar Braylin , Anne e ,Kasiely .Esta última, a mais eficiente jogadora de composição e de proteção de fundo de quadra de todas as jogadoras de todas as equipes que performaram essa importante função,durante toda a temporada. Kasiely ,de qualidade técnica inquestionável, foi de uma regularidade impressionante. Portadora de uma inteligencia emocional acima da média, Kasiely ,em momento algum perdia o controle e a serenidade.Em relação ao melhor treinador, discordo da escolha pelos motivos já elencados acima. Acho que o treinador do Pinheiros,Reinaldo Bacilieri, fez um ótimo trabalho, montando uma ótima equipe com recursos infinitamente inferiores à maioria das demais equipes e merecia ser o escolhido.
Finalmente eu diria que o Praia ,dessa vez, nadou,nadou e não morreu na praia!!
