De quem é a culpa?

Alguém , mais afobado, deve achar que a mediocre performance do Cruzeiro, em, praticamente todo o returno do brasileirão cabe exclusivamente ao treinador Fernando Diniz.Vamos aos fatos. O Cruzeiro estava atuando razoavelmente bem sob o comando do Fernando Seabra. Se mais ele não fez há de se reconhecer que alguns jogadores , uns por total falta de talento e outros por acharem que jogam mais bola do que são capazes de entregar em campo,impediam que se chegassem a melhores resultados.. Mas os maiores erros não ocorreram dentro de campo. Foram lá na Presidencia e na Diretoria de Futebol que ocorreram os erros estratosféricos de avaliação e de gestão. A começar por aquisições de atletas sem qualquer cuidado e analise dos mesmos. Embora contratações anteriores ja impactassem negativamente, a essas vieram se juntar Barreal,Villalba,Palacios, Wesley Gasolina, Peralta , Wallace e Vital, que pouco acrescentaram à equipe.Em contra partida liberou o Wesley para o Inter.Vá entender.Mas o pior ainda estava por vir.Resolveram dispensar o Seabra e aí eu pergunto: Como um presidente tido como homem-empresa acima da média , acostumado a decisões gerenciais e administrativas de relevante importancia para seus negocios e um Diretor de Futebol respeitadissimo no meio futebolistico cometem um gigantesco erro de avaliação e, sem olhar quem era Fernando Diniz, quais os seus predicados e quais eram os resultados dos seus ultimos trabalhos, investem em sua contratação?Vejamos quem é Fernando Diniz.Não é, e nunca foi competente em comandar equipes em jornadas de tiro curto.Para obter resultado Diniz precisa de peças específicas e tempo. Coisas que ele não teve E a reta final do Brasileirão ,naquela altura, era um torneio de tiro curto. Comete erros grosseiros quando emite comentários positivos sobre alguns jogadores em evidente mau desempenho. Não consegue moldar uma equipe à sua filosofia se esses jogadores não foram préviamente escolhidos para entender e assimilar seu estilo de jogo. Cassio é um exemplo clássico . E, ai um presidente muito entendido em vender arroz,feijão e farinha, e um diretor de futebol completamente distante da realidade resolvem contratá-lo ,para, num curto espaço de tempo ,fazer aquilo que ele não sabe fazer.Deu no que deu.

Alguém Explica?

Quem acompanha o futebol brasileiro, certamente está se perguntando: o que explica o mau desempenho dos treinadores brasileiros no comando das equipes nacionais em contra partida aos bem sucedidos treinadores estrangeiros.Sejam eles argentinos, portugueses ,uruguaios ou qualquer outra nacionalidade , o que se vê é uma onda crescente desses outsiders tomando para si esses postos de trabalho tão cobiçados seja pela projeção pessoal na midia ,seja pelas polpudas remunerações que recebem.Eu tenho algumas idéias a respeito, embora nunca tenha a pretensão de esgotar o tema ou ser o dono da verdade.Em primeiro lugar eu diria que a elite de treinadores brasileiros envelheceu.Grandes treinadores do final do século passado já não estão em atividade ou estacionaram no tempo. Não evoluiram seus conceitos por comodismo ou mesmo por incompetencia. Tornaram-se jurássicos e obsoletos.A prática do futebol mudou com a chegada de novas regras, novos conceitos técnicos , novas metodologias de preparação fisica ,novas práticas de treinamento.Hoje, uma Comissão Técnica que se preze , tem obrigatóriamente de ter um preparador de goleiros , um treinador de bolas paradas e, acho que, não demora surgirão os instrutores de cruzamentos , e, por ai vai. A chegada do VAR tornou as decisões dos árbitros mais justas e seguras.Hoje é comum a presença de membros das Comissões Técnicas portando notebooks para auxiliar no trabalho do treinador, de médicos, de fisioterapeutas , de preparadores fisicos e,de analistas de desempenho. Quem, como eu, acompanha a Premier League da Inglaterra , já notou a presença de monitores de TV ao lado dos treinadores para auxiliar nas tomadas de decisões.Lá, até para os gandulas a modernização já chegou: os observadores mais atentos já registraram a existencia de pequenos cones colocados em posições estratégicas no entorno do gramado onde os gandulas colocam as bolas ,permitindo aos próprios jogadores o acesso a elas seja para cobrança de escanteios ou laterais.Lá ,não tem essa de gandulas sumirem quando lhes convém.E ,aí alguém há de perguntar: e os tecnicos mais novos? Eu diria que há alguns com futuro promissor se se prepararem devidamente,Mas isso leva tempo e depende dos resultados alcançados nessa trajetoria. Mas tenho preocupações quanto ao futuro de alguns. Tenho acompanhado o desempenho do atual treinador do Cruzeiro e os sinais que vejo não são animadores. Suas declarações sobre o desempenho do lateral esquerdo Marlon são completamente equivocadas. Dizer que o defensor está no auge de sua forma é negar tudo o que aconteceu desde o jogo contra o Bahia.De lá até agora , de, pelos cinco gols tomados pelo Cruzeiro ele teve participação negativa em, pelo menos quatro deles, incluindo aí aquela saida repentina da barreira no gol do Davi Luiz do Flamengo.E mais, Marlon não é um bom marcador.E nem um bom apoiador.Sua marca registrada é receber a bola vinda do zagueiro, dar uma corridinha de quatro metros e retroceder a bola ao zagueiro.Mas não se surpreendam ; o relato acima vale também para a lateral direita do time celeste. O padrão é o mesmo,com o agravante que o titular da posição últimamente mal consegue cruzar uma bola com qualidade.E,quem diria ,já chegou à seleção brasileira! São fatos como esse, aliados à incompetencia ou omissão que acabam por levar o treinador ao fracasso É preciso ser mais agudo em suas observações e objetivo em suas ações. Dai se compreende porque Palmeiras,Botafogo, Fortaleza, Atletico Mineiro, são de longe os clubes mais bem. treinados do futebol brasileiro.Coincidentemente, todos treinados por estrangeiros.

Alvíssaras Jackie Silva !!!!

Assistí hoje parte da entrevista da Jacqueline Silva, nossa mais ilustre levantadora no volei feminino. Interessantíssima em varios aspectos, franca e contundente em outros tópicos, Jackie , literalmente ,colocou o dedo na ferida. E, para minha glória falou aquilo , que de há muito tenho manifestado em meus escritos, sem que tenha sido ouvido no mundo do voleibol,principalmente o feminino. O comando do voleibol no Brasil virou uma espécie de reserva de dominio. Existem dois feudos um masculino e outro feminino, igualitariamente entregues a dois suseranos ou senhores feudais , que os comandam há décadas , e, ao que parece, não têm a minima intenção de abrirem mão deles.E, para tornar as coisas ainda mais complicadas, a crônica especializada,composta de narradores e comentaristas, de há muito se tornou, nada mais que bajuladores desses senhores feudais. Basta um deles acertar um pedido de desafio para ser chamado de genio. Chega a ser irônico se não fosse trágico. Jacqueline , com sua objetividade e argúcia ,disse, com todas as letras que já é hora desses caras irem embora, e mais , levando junto seu séquito de auxiliares.Nas palavras dela: ” eles pensam que o mundo precisa deles; vão ficar lá para toda a vida?” Não há nenhuma dificuldade em reconhecer o mérito desses senhores pelo trabalho que desenvolveram; mas para tudo há um limite.É preciso que larguem o osso. Há vinte anos no comando da seleção feminina, o atual treinador, simplesmente inibiu qualquer possibilidade de surgimento de outros profissionais. Essa longevidade foi, e é ,altamente danosa à evolução do voleibol feminino brasileiro. Sua presença, aliás incomodativa, à beira da quadra o transformou no ser supremo: ele é o treinador, o levantador, o instrutor do bloqueio, o posicionador das atletas em quadra, tudo a um só tempo. Com isso, as levantadoras perderam a capacidade e a liberdade de criar. Ficaram medrosas, sem coragem de ousar e de tomar decisões.As demais atletas também sentem na pele essa insegurança e desconforto.Os nervos ficam a flor da pele e o debacle emocional é só questão de tempo, Se perdem desabam no choro, se ganham, também. É preciso trazer o protagonismo do jogo de volta para dentro da quadra ,permitindo que as atletas desenvolvam todo o seu potencial com liberdade.Não é papel de treinador,correr daqui pra ali azucrinando ouvido de jogadora.Isso só demonstra que o trabalho do dia a dia do treinador é ruim. O jogo tem que ser mais lúdico,mais solto, onde a alegria seja o principal combustivel para buscar a vitória.Vejam o exemplo da seleção feminina norteamericana; estando ou não à frente no placar ,jogam com alegria.Alguém já viu o Karch Kiraly, treinador da seleção americana, infernizando a vida das atletas na beira da quadra?Ou o Manabe do Japão, o Lavarini da Polonia , o Santarelli da Turquia, dando piti? E essa maneira grotesca do treinador brasileiro sair pulando pela quadra precisa acabar. Chega a ser patético esse narcisismo chamativo !Finalmente, parabéns à Jackie pela coragem em abordar os assuntos de forma clara e objetiva.