O Praia Clube e a temporada 2024/2025

Não há a menor dúvida que a eliminação do Praia Clube da disputa do titulo da Superliga foi uma surpresa terrivelmente dolorosa.Ao conhecer o elenco antes do inicio da temporada eu já antevia que haveria sérios problemas na recepção. Todavia restava uma esperança que o projetado poderio de ataque de Kuznetsova,Caffrey e Nia Reed conseguiria compensar as dificuldades advindas do passe imperfeito. Tal não ocorreu.Mas outros fatores também contribuiram ,e muito para o fracasso final.Vamos a eles;

1– O treinador. Para minha surpresa Marcus Miranda, se mostrou ser muito fraco . Não é o melhor candidato a treinar grandes estrelas. Para aqueles que dizem ser êle um grande treinador de bloqueios, acho que a grande bloqueadora do Praia Adenisia não foi formada por êle.Nos dois jogos da semifinal o bloqueio do Praia naufragou. Chego a duvidar que o treinador tenha estudado o adversário adequadamente . Comecei a duvidar de sua capacidade ainda no Campeonato Mundial ano passado na China. Quando, lá na China as coisas não iam bem ,ele sacava a Kuznetsova da equipe. E demorava a voltar com ela .Ficou nítido o abatimento demonstrado pela atleta. Acho que o único a não perceber foi o treinador. Aquilo me fez lembrar de um outro treinador – ainda em atividade- que cometeu a mesma asneira há muitas temporadas passadas, quando, intempestivamente ,tentou mudar o jeito de jogar da magnifica Cristina Pirv ,atleta do Minas naquela temporada, jogando em altíssimo nível. O Praia Clube e o Minas tem uma curiosa singularidade: O Minas é altamente competente na escolha de seus treinadores, e, peca na montagem do elenco. Já o Praia prima pela excelente escolha de seus elencos e falha quando contrata treinadores de segunda linha. Teve elencos fantásticos mas tinha um Paulo Coco muito aquém das necessidades da equipe. E isso durou sete temporadas! Inacreditável!

2- O elenco – Antes do inicio da temporada o elenco do Praia era considerado forte candidato ao titulo da Superliga, apesar das deficiências observadas. Querer imputar a Sofia Kuznetsova responsabilidades totalmente descabidas é uma crueldade e uma covardia sem limites.. Sempre que esteve em quadra foi brilhante e uma das maiores pontuadoras.Me apontem quantas jogadoras ,em quadra , pontuaram mais que ela. Isso considerando que o Praia tinha outras boas opções de ataque. Outras equipes tinham, a rigor, apenas uma opção para atacar. Dai surgiram grandes pontuadoras isoladas. .Da Maiara Basso nunca fui admirador. A fleuma dela em quadra é a mesma de uma criança chupando um picolé num banco de parque de diversões. A grande decepção ficou por conta do desempenho da Nia Reed. O Praia praticamente jogou sem oposta. Nenhuma equipe resiste a isso , principalmente contra equipes de maior qualidade, onde a oposta é fundamental na derrubada de bolas. Talvez aí esteja a principal razão pelo fim melancólico da temporada.

3- Diretoria e Comissão Técnica– Ninguém tem bola de cristal para antever o futuro. A formação do elenco foi feita com competencia. Mas, o Praia Clube precisa tirar lições dessa temporada e, certamente o fará.A prioridade é escolher com sabedoria um novo treinador com qualidades comprovadas . Verdade seja dita: essa figura não existe no Brasil. Quanto a atletas, sejam elas brasileiras ou não, atenção redobrada ao histórico de desempenho e condições atléticas. São requisitos fundamentais para que o Praia se recomponha para a próxima temporada.

Voleibol: Para que serve o elenco?

Acompanho o voleibol brasileito há longo tempo.Especialmente a Superliga Feminina . Não só o que acontece dentro de quadra,mas também, as noticias dos diversos clubes. Vejo com curiosidade as formações dos elencos em cada inicio de temporada.E as expectativas pela continuação ou chegada de um novo treinador.As limitações de orçamento definem as qualificações de cada clube. Infelizmente nem todo clube consegue se qualificar adequadamente.Mas, o que mais chama a atenção é o baixo aproveitamento que se vê quanto ao uso do elenco ao longo da temporada.Ainda recentemente tivemos a oportunidade de observar como o grupo deixou de ser relevante, e pior com consequencias serias . O Praia Clube, certamente um dos elencos mais bem qualificados, lider isolado da Superliga Feminina, , campeão do Sulamericano, em um jogo contra uma equipe já rebaixada, escalou , após uma viagem exaustiva ao sul do país, e mais, após uma maratona de jogos , nada menos que sua equipe titular, exceto Kuznetsova lesionada. O treinador, sem qualquer senso analítico coloca em quadra uma jogadora de 43 anos, vindo de uma maratona de jogos , e a lesão acontece. Carol Gattaz, excelente atleta e profissional exemplar não precisava estar em quadra. Ai vem a pergunta: para que serve o elenco?Milka e Gabi Martins,reservas naturais do meio de rede do Praia,já demonstraram em outras oportunidades ,estarem perfeitamente aptas a mostrar seu voleibol.Mas, um treinador obtuso prefere ignorar seus recursos de banco e expõe sua titular a um esforço fisico temerario. Deu no que deu. Mas esse tipo de comportamento é recorrente em todas as equipes.Mesmo sem lesão, estando uma jogadora de nome em um dia ruim, esses treinadores não as substituem.Simplesmente fingem que não veem o que acontece em quadra.Morrem de medo de tirá-las e, aí demonstram toda o seu desrespeito não apenas às atletas do banco, mas também seu desdém pelo desgaste da titular.

Praia Clube- Uma temporada perdida?

Confesso aos amigos leitores que a saida do Paulo Cuoco do comando do Praia Clube ,encerrando um ciclo de 7 temporadas de resultados aquém daqueles que os diversos elencos nos permitiam almejar, me encheu de esperança.Com ele o Praia nunca atingiu um padrão de jogo compativel com a capacidade das atletas que o compunham. A chegada do Marcus Miranda para comandar a equipe na temporada 2024/2025 criou em todos nós, admiradores do clube praiano uma enorme expectativa.Acreditávamos firmemente que aqueles tempos passados estariam melancolicamente incorporados ao acervo histórico do Clube.Nada poderia ser pior que aqueles tempos do Paulo Cuoco.Agora, que podemos acompanhar mais de perto o trabalho do Marcus Miranda começo a perceber que, longe de nos tranquilizar, o trabalho vem se revelando um desastre que, se não for reavaliado, significará uma perda total da temporada. Composto de atletas brilhantes quando olhadas individualmente, quando juntas em quadra , o desempenho é desesperadamente assustador.Varias são as causas desse desacerto da equipe.Vamos por partes. 1- O saque das atletas do Praia, exceção da Sofia, está entre os piores da Superliga- basta ver as estatisticas.Não é só na sua agressividade, mas tambem na sua acertividade.Contra o Pinheiros o Praia errou 16 saques. Alguém notou nos quatro meses da Superliga alguma melhora no desempenho das atletas nesse fundamento?Continuam executando o serviço da mesma maneira.Onde está o treinamento?Se o tem por que não há evolução do mesmo?. 2- . Há problemas na qualidade dos levantamentos? Sim. Macris não consegue receber o chamado passe A , na maioria das vezes. Macris faz o que pode . 3. O ataque do Praia é fraco? Claro que não!Considero Sofia, Caffrey e Nya Reed atacantes de altissimo potencial. Estão entre as melhores da Superliga.4- E a recepção?Bem, a recepção do Praia quando as três estrangeiras estão em quadra se revelou uma verdadeira tragédia.Está aí na recepção de péssima qualidade, a origem de todos os males que acontecem dentro da quadra. e esses males vão minando a confiança das atletas, levando-as ao descontrole emocional,ao desgaste psicológico e fisico e aí, a equipe desaba. No jogo hoje contra o Sesi as jogadoras do Praia davam a impressão de estarem sem forças até para saltar.5- O bloqueio de meio de rede tambem é muito irregular. E, atleta sair batendo no peito quando consegue realizar um bloqueio não ajuda em nada o trabalho da equipe.Ela não joga sozinha.

Reservei para o final uma analise do desempenho do treinador. 1- O comportamento do treinador ao lado da quadra é ruim. Suas abordagens não causam nenhum efeito prático. 2- Sua teimosia e insistencia em manter em quadra um sistema de recepção totalmente equivocado é o principal causador do naufrágio da equipe. Ele erra grotescamente quando inicia o jogo com as três estrangeiras em quadra .Ele deveria começar com uma recepção forte para gerar tranquilidade na equipe.Ele oferece aos adversários, de cara , toda a fragilidade de sua recepção.Os adversarios devem achar maravilhoso ter a oportunidade de massacrar e destroçar a equipe desde o primeiro serviço..E isso tem acontecido ,sistematicamente, desde meados da Superliga.Os adversarios recebem, de graça, o caminho para a vitória.3-E, a cada jogo,quando se espera que o treinador vai corrigir o problema, ele ,teimosamente repete a mesma escalação que tinha comprometido o resultado na partida anterior.Chega-se à conclusão que o trabalho do treinador é muito ruim e não consegue enxergar o óbvio.Receio que o prognóstico para o sucesso da temporada possa,desde já, estar comprometido. O tempo dirá.

P.S. Lendo hoje (08/02) a entrevista pós jogo da Adenisia alguns pontos me chamaram a atenção.Primeiro – parte do que ela disse foi simplesmente protocolar ou seja o óbvio.Segundo – Para quem fala em trabalhar em equipe soa estranho vê-la não comemorar com as companheiras quando realiza um bloqueio e sim correr sozinha para celebrar com a platéia.O correto e esperado era vê-la comemorar com a equipe.Principalmente por ela ser a capitã.Terceiro- Corroborando o que o texto acima disse, o saque das atletas do Praia é um dos piores da Superliga.O erro dela,num momento crucial da partida não chega a ser surpresa.Quarto- Em momento algum ela fala da necessidade de intensificar os treinamentos . Não só de saque,mas principalmente da recepção.Quinto – Talvez o mais grave.Nem ela nem qualquer outra atleta tem a minima noção das causas dos repetidos fracassos;porque mesmo nas vitorias apertadas os erros se repetem em profusão.Sexto – Pelo visto nem o treinador sabe as causas dos problemas.